
A CAIXA (The Box, EUA, 2009) de Richard Kelly
As consequências de decisões tomadas precipitadamente rendem um vasto leque de dilemas existências, morais e espirituais, fora a tradicional fuga do natural quando falamos de filmes de Richard Kelly. Seguindo o mesmo molde que o consagrou em Donnie Darko, mas ainda com resquícios caricaturais do fraco Southland Tales, o diretor tenta se aproximar de um clima de suspense sustentado por sequências em dimensão de sonho que aos poucos dissolvem suas primordiais intenções.


É PROIBIDO FUMAR (Idem, Brasil, 2009) de Anna Muylaerte
O decadente cotidiano de uma solitária mulher é interrompido por uma paixão aparentemente impossível de ser consumida. O “fumar” do título do filme poderia facilmente ser substituído por outros verbos que Anna Muylaerte faz questão de lembrar suas importâncias. Respirando os ares de Almodóvar para construir o entorno de Baby (Glória Pires), a diretora faz um retrato de uma classe social sobre uma narrativa deliciosa que ao primeiro sinal de previsibilidade logo toma providências para passear sem rodeios por diversos gêneros.


MALDITO FUTEBOL CLUBE (The Damned United, Inglaterra/EUA, 2009) de Tom Hooper
A carreira do folclórico técnico Brian Clough conhecido por levar o clube Derby County da lanterna da segunda divisão ao o título inglês vem amarrada a uma história de amor e ódio com o Leeds, maior força do futebol britânico na época, grandes crises de ego, ganância, o típico humor inglês e antes de qualquer coisa, uma atuação primorosa de Michael Sheen. A direção de Tom Hooper é soberba e passa longe de clichês quando assunto é “filme futebolístico”.


LEGIÃO (Legion, EUA, 2010) de Scott Stewart
Deus perdeu a fé na humanidade e pretende recomeçar tudo, como fez com Noé e sua arca. Mas dessa vez não sobrará ninguém. Miguel (o anjo), ajudará alguns sobreviventes das pestes enviadas por Deus a enfrentar humanos que viraram zumbis após o contágio. Presos num posto de beira de estrada, lá eles se esquivam dos ataques, mas descobrem que existem inimigos internos a serem combatidos. O Nevoeiro de Frank Darabont é a maior referência para Legião. Mas ao contrário do filme citado, a obra de Scott Stewart não busca desconstruir dilemas existenciais e sim montar uma história de suspense motivada unicamente pelas cenas de ação.


O LOBISOMEM (The Wolfman, Inglaterra/EUA, 2010)
Apesar de ser uma versão mais apurada, o remake do clássico dirigido por George Waggner em 1941 não se desprende de seu original. Tudo que a cartilha pede não foi desfigurado por Joe Johnston. A estética sombria, os conflitos e o natural suspense estão lá. O que sobra da produção de Johnston são o ar de caça-níquel e a irregularidade para criar uma equivalência entre as crises de Lawrence Talbot (Benício Del Toro) e o terror disseminado pela misteriosa figura do lobisomem ao relacioná-lo a um novo tempo.


NINJA ASSASSINO (Ninja Assassin, EUA/Alemanha, 2009) de James McTeigue
Preso a todos os clichês divertidos de filme de ação, James McTeigue liquida os clãs de ninjas contratados por grandes potências mundiais para executarem crimes perfeitos, claro, com um ninja rebelde. Entre cenas brutais de lutas e uma tentativa mequetrefe de estudar grandes pilares políticos, o diretor consegue, no máximo, entregar entretenimento.


TYSON (Idem, EUA, 2008) de James Toback
A conturbada mente do maior mito do boxe é desconstruída por James Toback principalmente pela linguagem de Tyson. O processo de ascensão e queda do atleta e todas suas polêmicas que envolvem acusações de estupro, prisão, drogas e desinteresse pelo esporte são delegadas ao próprio Mike Tyson que com sua característica arrogância (ou seria uma sinceridade extremista?) dispara suas versões para os fatos.


SEDUÇÃO (Cracks, Inglaterra/Irlanda, 2009) de Jordan Scott
Jordan Scott, filha do mestre Ridley Scott faz seu debut na direção de filmes com o pé direito. Quando a Sra G., professora com ideais libertários de um rígido austero para garotas tem de enfrentar a independência da mais nova aluna, Fiamma, uma imigrante espanhola as figuras tomam novas formas. Aos poucos, a Sra G. perde a rédea de sua função e parece contagiada com o comportamento de Fiamma. O grande acerto de Sedução é de, em doses crescentes, salientar a essência de uma doentia relação no lugar da aparência e visitar o passado sem fragmentar a narrativa para questionar o valor do presente.

Outros lançamentos do mês de junho: Educação, Preciosa, Invictus, Vidas Que Se Cruzam, Maradona, Um Olhar do Paraíso, Capitalismo: Uma História de Amor, Halloween 2, Coração Louco