03.09.10

Mostra Indie 2010

por Pedro Tavares

indie

119. Este é o número de filmes que fará os cinéfilos correrem por Belo Horizonte pelos cinemas que hospedarão o Indie Festival por sete dias. Completando dez anos em 2010, o festival já levou mais de 190 mil espectadores às salas entre diversas mostras e retrospectivas numa espécie de encontro às escuras com novos diretores.

Neste ano, o festival apresenta além de suas tradicionais e (e por que não visionárias?) mostras (Mostra Mundial, Indie Brasil, Musica do Underground e Cinema de Garagem) e retrospectivas de diretores que infelizmente não ganharam espaço em circuito comercial por aqui, mas carregam filmes maravilhosos na bagagem. Neste ano os escolhidos foram o vencedor da última edição do Festival de Cannes Apichatpong Weerasethakul e o cultuado diretor de terror (que vez ou outra foge do gênero) Kiyoshi Kurosawa.

Para a mostra mundial ficam os destaques para White Material de Clare Denis, A Vida Durante a Guerra de Todd Solondz, que revisita os personagens de Felicidade dez anos depois, o debut do músico Omar Rodriguez-Lopez em O Assassino Sentimental de Máquinas, o prêmio da mostra “Um Certo Olhar” em Cannes HaHaHa e o argentino Dois Irmãos de Daniel Burman. A música do underground tem foco no poder que a música tem: seja para revolucionar, curar, salvar. E lá estão sete filmes para imprimir esta relação de amor. A Indie Brasil, entre os cinco filmes selecionados, ganham destaque o premiado Leite e Ferro de Claudia Priscilla e A Falta que me Faz de Marília Rocha.

Estarei lá para conferir os filmes e, aos poucos, postarei minhas impressões sobre eles. Adoraria discuti-los com vocês, portanto, quem quiser, deixe comentários.

30.08.10

8º Festival Internacional de Cinema Infantil

por Pedro Tavares

Como o post anterior disse, o FICI procura ampliar a visão de cinema para os pequenos. E eu, um pequeno apenas de estatura, fui conferir a qualidade dos filmes do festival que está em sua oitava edição.  Vamos lá:

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MEU AMIGO STORM (Storm, Dinamarca, 2009) de Giacomo Campeotto

A história de apego e amizade entre Storm, um cachorro violentado por seu antigo e sempre presente dono e Freddie, um garoto vítima de bullying evita levantar bandeiras, mas sua mensagem é clara para os mais velhos. O diretor Giacomo Campeotto se preocupa em montar uma narrativa leve envolta por uma bela plástica e boas atuações para domar a atenção do seu público alvo. Meu Amigo Storm passa longe da originalidade dentro deste segmento, mas suas qualidades são suficientes para se tornar um bom filme.

3star

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IEP! (Eep!, Holanda/Bélgica, 2010) de Ellen Smit

Uma menina-pássaro. A fantástica história destinada a estudar diferenças e o leque aberto a partir dessa idéia criada pela premiada roteirista Mieke de Jong não é bem aproveitada. Sobra para a diretora Ellen Smit abordar a insegurança dos pais em lidar com esta delicada situação e o instinto da pequena Birdie, que como outros pássaros, alça vôos para outras regiões durante o outono.

3star

o segredo de kells

O SEGREDO DE KELLS (Brendan and the Secret of Kells, Irlanda/França/Belgica, 2009) de Tomm Moore

Para as crianças, uma aventura fantástica. Para os adultos, uma metáfora espiritual com estrutura. Um filme recheado de elipses bem elaboradas e uma cartela de cores incrível, mas que se exalta nas reflexões sobre a vida. Uma pequena pérola.

4star

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KARLA E JONAS (Karla Og Jonas, Dinamarca, 2010) de Charlotte Sachs Bostrup

Transferir conflitos comuns da pré-adolescência sem parecer piegas é bem difícil. Trata-se de uma época conturbada, onde sentimentos, descobertas e responsabilidades se confundem à imaturidade comum da idade. Charlotte Sachs Bostrup é bem sucedida em todas as possibilidades exploradas em Karla e Jonas. Mantém a leveza necessária para entreter seu público alvo e toca em assuntos bastante delicados.

4star

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O SEGREDO DE ELEONOR (Kerity: La Maison Des Contes, França/Luxemburgo, 2009) de Dominique Monféry

O mais interessante de O Segredo de Eleonor é como Dominique Monféry junta todos os personagens de contos de fadas para fazer uma nova história. Todos os elementos de um conto infantil estão lá, na imagética e no roteiro. Envolvente e com uma mensagem bonita, o filme traz a mágica esquecida pelos novos filmes dedicados ao público infantil.

3star

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O LINCE PERDIDO (El Lince Perdido, Espanha, 2009) de Raul Garcia

Raul Garcia ganhou reconhecimento ao animar filmes da Disney como O Rei Leão e Aladdin. Natural que seu debut como diretor de longas reverbere um pouco dessas histórias, mas é justamente neste ponto que as qualidades do filme terminam. O diretor acha espaço para tratar da proteção animal numa aventura que não se sustenta por utilizar um método saturado neste tempo de reinado da Pixar.

2star

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EU E MEU GUARDA-CHUVA (Idem, Brasil, 2010) de Toni Vanzolini

Adaptado do livro homônimo de Branco Mello, o filme de Toni Vanzolini explora vertentes distintas do cinema direcionado ao público  infantil. Características básicas das aventuras oitentistas americanas estão lá, o  humor que remete aos filmes d’O Menino Maluquinho e o contemporâneo estudo de um espaço lúdico que instiga e vai muito além da ciência também.  Ah,  o seu papel principal é comprido com excelência, que é, claro, divertir.

4star

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ANTES QUE O MUNDO ACABE (Idem, Brasil, 2010) de Ana Luiza Azevedo

Ana Luiza Azevedo transfere para Pedra Grande, interior do Rio Grande do Sul, a vida do protagonista Pedro que no livro homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha está em Porto Alegre para ampliar o impacto do mundo lá de fora com o pacato mundinho do garoto. Com as descobertas da adolescência, estão os conflitos familiares, a traição de amigos e claro, os traumas. Como narrativa, o filme absorve muito bem este “panorama adolescente”, mas enfrenta problemas para equivaler os dois mundos e suas diferentes visões dentro da história.

3star

05.08.10

A Origem

por Pedro Tavares

a origem

Uma pequena e óbvia analogia às possibilidades do cinema pode ser atrelada ao roteiro de A Origem. Afinal, só a sétima pode se assemelhar tanto aos sonhos. Só na tela de cinema podemos ver a materialização de um sonho em “tempo real”. Esta brecha é explorada minuciosamente por Christopher Nolan, um diretor que sempre foge de convencionalismos. O tempo, a imersão, a sensação de queda e o vespertino despertar são apenas algumas identificações que o diretor desenvolve com o espectador. Sabendo desse vasto leque de informações, Nolan dispensa a fragmentação da narrativa, mas não deixa de confundir, o que é de praxe em seus filmes.

E criar a equivalência entre a realidade e os sonhos é o tour de force do filme de Nolan. A impressionante plástica e ótimo timing para representar e desconstruir facetas distintas deste estado aumentam o impacto para configurar um filme de gênero. Envolve-se muito mais pelos aspectos citados que pela trama em si. A construção do thriller é igual a qualquer outro. Não estamos à frente de um filme de múltiplas saídas, como os de David Lynch, por exemplo.

A composição de personagens e seus conflitos são batidos e não condizem com toda originalidade do filme. Estão lá os conflitos amorosos e as mesmas motivações para os personagens se corromperem: ganância e incerteza. Fica evidente em certo momento que Nolan busca criar uma nova experiência ao espectador sem ultrapassar as fronteiras de seu conforto. Que não saia da passividade e resolva interagir com o filme. Em devidas proporções, A Origem se conclui sem fugir de um lugar comum no cinema contemporâneo.

3star

A ORIGEM (Inception, EUA/Inglaterra, 2010) Direção: Christopher Nolan Roteiro: Christopher Nolan Elenco: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard Duração: 148 min

01.08.10

Em DVD: Lançamentos de Agosto

por Pedro Tavares

DIREITO DE AMAR (A Single Man, EUA , 2009) de Tom Ford

O furacão de sentimentos exibidos por Tom Ford em Direito de Amar é devastador. Trata-se de um filme rico em metáforas para conduzir o sentimento de perda do protagonista George Falconer, vivido com excelência por Colin Firth. O filme erra a mão quando tenta frustradamente, por diversas vezes, criar diálogos que possam clarear o que Ford já havia dito muito bem apenas com a câmera.

3star

DUPLA IMPLACÁVEL (From Paris With Love, França, 2010) de Pierre Morrel

A ilusória luta antiterrorismo americana ganha perspectiva máxima dos clichês de filmes de ação em roteiro escrito por Luc Besson: good cop/bad cop, explosões, edição frenética e um bom ponto de virada no final. Como escapismo, faz bem seu papel. Como mensagem política, um fiasco.

3star

PROCURANDO ELLY (Darbareye Elly, Irã, 2009) de Asghar Farhadi

Um fim de semana entre amigos em frente à praia vira uma tragédia sem limites quando a amedrontada Elly some sem deixar rastros. Conhecemos a vida dela em informações jogadas no roteiro. Uma teia de mentiras é criada para sustentar o evento longe dos familiares da professora. A câmera de Farhadi é espectadora voraz da tensão exposta com maestria pelos atores, que não permitem que o filme – calçado nos diálogos – perca o ritmo.

3star

O PRIMEIRO MENTIROSO (The Invention of Lying, EUA, 2009) de Ricky Gervais e Matthew Robinson

A premissa é bastante interessante: vivendo numa cidade onde a mentira não existe, Mark Bellison (o próprio Gervais) descobre através da lorota um bom jeito de ser bem sucedido na sua carreira de roteirista. O filme começa bem, abusa do cinismo para tirar sarro da indústria cinematográfica, mas engata em um drama insosso e perde o bom ritmo inicial.

2star

remember-me-2010

LEMBRANÇAS (Remember Me, EUA, 2010) de Allen Coulter

Allen Coulter não sabe o que fazer com o roteiro de Lembranças. Permeia boa parte do filme com um retrato social que envolve disfuncionalidade, traumas e brigas familiares. Depois, um romance é a prioridade das câmeras do diretor, que logo volta à análise social para encerrar com um dos finais mais pretensiosos dos últimos tempos. Resultado: não funciona como nada.

1star

Outros lançamentos: Zona Verde, Fúria de Titãs, Quincas Berro D’Água

21.07.10

Coberturas: Descobrindo o Cinema Filipino e SP Terror

por Pedro Tavares

Curadores de mostras de cinema merecem respeito e admiração. Independente do gênero e do público alvo dá um trabalho do cão produzir grade, catálogo, folders selecionar os filmes e aturar espectadores malas. Tento prestigiar essas mostras ao máximo, mas às vezes o tempo e/ou o dinheiro não permite(m).  Fica aqui os parabéns aos organizadores da Mostra Descobrindo o Cinema Filipino (Leonardo Levis e Raphael Mesquita) e do SP Terror (Betina Goldman, João da Terra Marconato, Alexandre Nakahara e Vitor Meloni). Abaixo, uma pequena cobertura sobre o que aconteceu e os filmes.

DESCOBRINDO O CINEMA FILIPINO

Por Pedro Tavares

Infelizmente não tive tempo suficiente para prestigiar muitos filmes da mostra. Dei prioridade aos filmes de Brillante Mendoza, que havia perdido na Mostra Indie do ano passado. Muito se fala sobre Mendoza e seu merecido prêmio no Festival de Cannes em 2009 por Kinatay e seu particular registro de um cotidiano caótico das ruas filipinas. Minhas breves impressões sobre os filmes vistos:

serbis

SERBIS (Filipinas/França, 2008)

Rico em analogias referentes ao apreço pela influência que o cinema pode ter na vida de uma pessoa, Brillante Mendoza abrange esse assunto para, de forma implícita, abordar a importância, a manipulação e o futuro da sétima em uma trama que pouco tem a ver com ela. O cotidiano de uma família que cuida e mora nas dependências de um cinema pornô é visto com distância por Mendoza. O modelo documental é adotado pelo diretor que não se acanha em assumir a presença da câmera e explicitar a representação de um cenário. Discutem-se as regras, as morais e as necessidades de sobrevivência em um país carente sem tratamento narrativo. O caos é representado por um só elemento: o som.

4star

kinatay

KINATAY (Filipinas/França, 2009)

Mesmo com uma trama concentrada num brutal crime, a tensão sugerida por Kinatay é absolutamente sensorial graças à ótima direção de Mendoza. Longas sequências, fotografia escura, uma sufocante proximidade à seu protagonista (que vai de bom moço a vilão em poucos minutos) e a simultânea distância à discussão de motivações para o assassinato realçam esta intenção. A preocupação está em realizar a imersão nas emoções de seu personagem principal, que paga por dizer “sim”. Seja na hora de casar ou de ser espectador de atos perversos. O caos dessa vez é interno, mas pode ser representado igualmente pelo cotidiano sempre captado pelas câmeras de Mendoza.

4star

lola

LOLA (Filipinas/França, 2009)

Aparentemente devastadas pelo mesmo evento em dois pólos extremos, duas senhoras buscam a redenção através do dinheiro. Mendoza deixa em aberto as emoções de suas protagonistas. Em pouquíssimos momentos elas deixam vazar o que sentem em relação ao que aconteceu (uma é avó de um garoto assassinado e a outra, a avó do assassino). Ambas parecem dormentes à situação, pois o presente vem em doses cavalares de crueldade. É justamente neste ponto que o diretor cria toda a riqueza de seu filme.

4star

A Mostra “Descobrindo o Cinema Filipino” segue para Brasília, onde fica de 13 de Julho a 1º de Agosto.

DESMEMBRANDO O  SP TERROR

Por Luciana dos Anjos

SPTERROR Survival of the Dead, de George A. Romero

No início do mês aconteceu a 2ª edição do SP Terror, festival dedicado ao cinema fantástico e ao cinema de horror, gênero que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado, seja em DVD ou nas salas de cinema. O  SP Terror aconteceu simultaneamente no Reserva Cultural e no Cinesesc Paulista e, durante uma semana  trouxe cerca de 30 produções, incluindo diversos filmes produzidos na América Latina.

Em meio a filmes internacionais e brasileiros, longas e curtas-metragens, a programação deste ano trouxe o aguardado Survival of the Dead, de George Romero. O sexto filme da saga que o diretor iniciou nos anos 60 com The Night of the Living Dead, lotou a primeira sessão da Reserva Cultural na sexta-feira (01/08). O filme sensação em festivais ao redor do mundo teve uma distribuição atípica nos EUA, estreou primeiro em Video-on-Demand e só em maio deste ano entrou em cartaz no país.

SPTERROR Marcas do Terror, de Takashi Miike

O Cinesesc teve programação dedicada apenas para filmes do  diretor japonês Takashi Miike, ótima oportunidade para fãs do gênero que não conheciam a fundo sua obra. Filmes como o surreal Visitante Q, Gozu e da série Master of Horror, Marcas do Terror, foram exibidos ao longo do festival.

No último dia de festival, um dos carros-chefe da programação ficou por conta da exibição do até então inédito À Prova de Morte, do diretor americano Quentin Tarantino, que estreou no Brasil com três anos de atraso: primeiro no festival e, depois, entrou em circuito. O filme de Tarantino faz parte do projeto Grindhouse, uma sessão dupla que trouxe o já disponível em DVD Planeta Terror, de Robert Rodriguez.

Entre outros filmes, destaque para The Crazies, A Epidemia, Ingrid e O Sinistro provaram que o gênero está em ascensão.  O evento também incluiu a exibição fechada do espanhol REC 2 – que deve chegar ao Brasil ainda neste semestre – e uma pequena programação de curtas.  Paulistanos aficcionados por cinema de horror certamente prestigiaram o festival e já estão no aguardo do próximo!

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