Curadores de mostras de cinema merecem respeito e admiração. Independente do gênero e do público alvo dá um trabalho do cão produzir grade, catálogo, folders selecionar os filmes e aturar espectadores malas. Tento prestigiar essas mostras ao máximo, mas às vezes o tempo e/ou o dinheiro não permite(m). Fica aqui os parabéns aos organizadores da Mostra Descobrindo o Cinema Filipino (Leonardo Levis e Raphael Mesquita) e do SP Terror (Betina Goldman, João da Terra Marconato, Alexandre Nakahara e Vitor Meloni). Abaixo, uma pequena cobertura sobre o que aconteceu e os filmes.
DESCOBRINDO O CINEMA FILIPINO
Por Pedro Tavares
Infelizmente não tive tempo suficiente para prestigiar muitos filmes da mostra. Dei prioridade aos filmes de Brillante Mendoza, que havia perdido na Mostra Indie do ano passado. Muito se fala sobre Mendoza e seu merecido prêmio no Festival de Cannes em 2009 por Kinatay e seu particular registro de um cotidiano caótico das ruas filipinas. Minhas breves impressões sobre os filmes vistos:

SERBIS (Filipinas/França, 2008)
Rico em analogias referentes ao apreço pela influência que o cinema pode ter na vida de uma pessoa, Brillante Mendoza abrange esse assunto para, de forma implícita, abordar a importância, a manipulação e o futuro da sétima em uma trama que pouco tem a ver com ela. O cotidiano de uma família que cuida e mora nas dependências de um cinema pornô é visto com distância por Mendoza. O modelo documental é adotado pelo diretor que não se acanha em assumir a presença da câmera e explicitar a representação de um cenário. Discutem-se as regras, as morais e as necessidades de sobrevivência em um país carente sem tratamento narrativo. O caos é representado por um só elemento: o som.


KINATAY (Filipinas/França, 2009)
Mesmo com uma trama concentrada num brutal crime, a tensão sugerida por Kinatay é absolutamente sensorial graças à ótima direção de Mendoza. Longas sequências, fotografia escura, uma sufocante proximidade à seu protagonista (que vai de bom moço a vilão em poucos minutos) e a simultânea distância à discussão de motivações para o assassinato realçam esta intenção. A preocupação está em realizar a imersão nas emoções de seu personagem principal, que paga por dizer “sim”. Seja na hora de casar ou de ser espectador de atos perversos. O caos dessa vez é interno, mas pode ser representado igualmente pelo cotidiano sempre captado pelas câmeras de Mendoza.


LOLA (Filipinas/França, 2009)
Aparentemente devastadas pelo mesmo evento em dois pólos extremos, duas senhoras buscam a redenção através do dinheiro. Mendoza deixa em aberto as emoções de suas protagonistas. Em pouquíssimos momentos elas deixam vazar o que sentem em relação ao que aconteceu (uma é avó de um garoto assassinado e a outra, a avó do assassino). Ambas parecem dormentes à situação, pois o presente vem em doses cavalares de crueldade. É justamente neste ponto que o diretor cria toda a riqueza de seu filme.

A Mostra “Descobrindo o Cinema Filipino” segue para Brasília, onde fica de 13 de Julho a 1º de Agosto.
DESMEMBRANDO O SP TERROR
Por Luciana dos Anjos
Survival of the Dead, de George A. Romero
No início do mês aconteceu a 2ª edição do SP Terror, festival dedicado ao cinema fantástico e ao cinema de horror, gênero que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado, seja em DVD ou nas salas de cinema. O SP Terror aconteceu simultaneamente no Reserva Cultural e no Cinesesc Paulista e, durante uma semana trouxe cerca de 30 produções, incluindo diversos filmes produzidos na América Latina.
Em meio a filmes internacionais e brasileiros, longas e curtas-metragens, a programação deste ano trouxe o aguardado Survival of the Dead, de George Romero. O sexto filme da saga que o diretor iniciou nos anos 60 com The Night of the Living Dead, lotou a primeira sessão da Reserva Cultural na sexta-feira (01/08). O filme sensação em festivais ao redor do mundo teve uma distribuição atípica nos EUA, estreou primeiro em Video-on-Demand e só em maio deste ano entrou em cartaz no país.
Marcas do Terror, de Takashi Miike
O Cinesesc teve programação dedicada apenas para filmes do diretor japonês Takashi Miike, ótima oportunidade para fãs do gênero que não conheciam a fundo sua obra. Filmes como o surreal Visitante Q, Gozu e da série Master of Horror, Marcas do Terror, foram exibidos ao longo do festival.
No último dia de festival, um dos carros-chefe da programação ficou por conta da exibição do até então inédito À Prova de Morte, do diretor americano Quentin Tarantino, que estreou no Brasil com três anos de atraso: primeiro no festival e, depois, entrou em circuito. O filme de Tarantino faz parte do projeto Grindhouse, uma sessão dupla que trouxe o já disponível em DVD Planeta Terror, de Robert Rodriguez.
Entre outros filmes, destaque para The Crazies, A Epidemia, Ingrid e O Sinistro provaram que o gênero está em ascensão. O evento também incluiu a exibição fechada do espanhol REC 2 – que deve chegar ao Brasil ainda neste semestre – e uma pequena programação de curtas. Paulistanos aficcionados por cinema de horror certamente prestigiaram o festival e já estão no aguardo do próximo!