
Em 2004, quando Cidade de Deus foi indicado a quatro categorias do Oscar, sabíamos que Fernando Meirelles teria pequenas chances ao enfrentar o monstro Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei de Peter Jackson, indicado a onze categorias. Seis anos mais tarde, Avatar se torna o novo fenômeno cinematográfico, bate recordes de bilheterias e reinventa a forma de se ver a sétima arte. Mas afinal, toda tecnologia pode ser colocada em cheque quando a mensagem não é das melhores? A academia parece ter mudado seu ponto de vista e nos respondeu que sim. Os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor para Kathryn Bigelow (primeira mulher a receber o prêmio de Melhor Diretor), diretora do grande vencedor da noite Guerra ao Terror prova que o entretenimento não está apenas em shows pirotécnicos . A beleza de uma obra é condensada em boa parte, no seu texto. O filme de Bigelow que recebeu mais de 70 prêmios nesta temporada repetiu a dose e foi o grande campeão desta edição do Oscar, ganhando seis estatuetas.
A cerimônia deste ano foi mais dinâmica e com boas surpresas. A maior delas provavelmente o prêmio de Melhor Diretor que era dado como certo para James Cameron por todo seu trabalho em Avatar, que levou o prêmio de melhor fotografia, contrariando a expectativa que era para A Fita Branca. O filme de Haneke também era dado como vencedor na categoria Melhor Filme Estrangeiro, mas acabou perdendo para o excelente filme argentino O Segredo de Seus Olhos. Tivemos uma bonita (porém gratuita) homenagem ao gênero horror, que uniu Nosferatu, Jogos Mortais, O Iluminado e Crepúsculo em um gênero (!). Falando em horror, Atividade Paranormal ganhou uma hilária paródia pelos apresentadores Steve Martin e Alec Baldwin. Ao receber o prêmio de melhor edição por Guerra ao Terror, Bob Murawski e Chris Innis repetiram a mensagem do e-mail enviado pelo produtor do filme e que causou uma polêmica gigantesca, mas escaparam da saia justa. Nos discursos (ou declarações de amor, como preferir) para os indicados de melhor ator e atriz, a academia prezou pela aproximação do público com os artistas de certa forma, como fez no ano passado. E funcionou novamente. No geral, a festa do cinema foi boa e conseguiu deixar o ranço da edição de 2009.
Vamos aos vencedores:
MELHOR FILME
Guerra ao Terror
MELHOR DIRETOR
Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)
MELHOR ATOR
Jeff Bridges (Coração Louco)
MELHOR ATRIZ
Sandra Bullock (Um Sonho Possível)
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Mo’Nique (Preciosa)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Guerra ao Terror
MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
MELHOR EDIÇÃO
Guerra ao Terror
MELHOR FOTOGRAFIA
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
MELHOR FIGURINO
A Jovem Rainha Vitória
MELHOR MAQUIAGEM
Star Trek
MELHOR TRILHA SONORA
MELHOR CANÇÃO
The Weary Kind (Coração Louco)
MELHOR MIXAGEM E EDIÇÃO DE SOM
Guerra ao Terror
EFEITOS VISUAIS
MELHOR DOCUMENTÁRIO
The Cove





Por acaso não concordo que esta edição fosse mais dinâmica. Dinâmica foi a do outro ano com Hugh Jackman como apresentador. Alec Baldwin foi um erro de casting.
Também achei a edição do ano passado muito mais dinamica e bonita por sinal.
“O segredo dos seus olhos” ganhar me deixou bem felizona.
Mesmo com “Guerra ao terror” levando os principais prêmios, sou mais a acidez de Tarantino ou o sarcasmo dos Coen.
Disse tudo, Caren! E ver Campanella levando o Oscar e zoando Avatar me deixou mais satisfeito.
Gostei da maneira como você se expressa e transmite suas idéias.