
Dizer que o trabalho dos irmãos Coen é sinônimo de qualidade chega a ser óbvio, mas em Um Homem Sério arrisco a dizer que os diretores chegaram ao auge de suas carreiras. Neste conto sobre a passividade totalmente revestido de deboches, Joel e Ethan Coen conduzem o longa com tamanha maestria que fica impossível não se impressionar com a plástica do filme. Sim, a plástica é incrível, mas o que me levou a fazer tal afirmação no início do texto é como eles conseguiram amarrar a beleza e o texto e justificá-los para logo depois tirar sarro da linguagem do cinema.
Joel e Ethan podem gozar de tais mecanismos, mas o alvo principal é de quem consome esta linguagem. Eles fragmentam conflitos e até desistem de contar histórias, pois se for preciso, eles darão uma justificativa aleatória para lembrar que eles podem fazer o que bem entendem. O mais incrível dessa gigantesca alfinetada é que ela é elaborada e executada no silêncio e usam o protagonista Larry Gopnik, intepretado por Michael Stuhlbarg, como um espelho de nossa passividade.
Gopnik é um judeu que tenta seguir normas e manter a paz ao seu redor, mas serve como um receptor de desgraças ao se relacionar com manipuladores a todo instante. Se Gopnik propositalmente lembra a jornada de Jesus Cristo, os irmãos Coen usam a manipulação para representar o princípio básico da linguagem audiovisual. A história de Gopnik dá margem para uma narrativa dinâmica, que não deixa imunes valores e costumes da sociedade que são exaltados pela direção de Joel e Ethan. É assustadora a composição de quadros e movimentos de câmera para acentuar emoções.
Toda beleza e sarcasmo de Um Homem Sério são necessários para uma contemplação livre, pois metáforas são freqüentes na trama. A maior e mais brilhante delas, na última cena do filme, é para lembrar que no cinema, Deus está sentado na cadeira de diretor.
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UM HOMEM SÉRIO (A Serious Man, EUA, 2009) Direção: Joel e Ethan Coen Roteiro: Joel e Ethan Coen Elenco: Mark Stuhlbarg, Richard Kind, Sari Lennick, Fred Melamed Duração: 106 min





Você acha que alguém se importa com você? Para os Irmãos Coen, a resposta é não. “A serious man” é mais uma prova dessa tese defendida pelos diretores. Além disso, é uma película bem mais difícil de ser compreendida, acho que quem começou a gostar deles por “Queime depois de ler”, não gostará muito dessa nova empreitada. E cá pra nós, o sarcasmo em “A serious man” é bem mais requintado que naquele estrelado pelo Clooney.
Abraço!
Anteriormente, eu esperava por um filme tão descompromissado quanto “O Amor Custa Caro” e até mesmo “Queime Depois de Ler”. No entanto, paresse que aqui os irmãos diretores se sobressaíram mais uma vez. E será que o senhor se deparou com aquele que provavelmente será o seu filme de 2010?
Abraços!
Ops! Parece com “C”, por favor!
Rapaz, jura que é tudo isso mesmo?! =B Gosto muito dos Coen, estão entre os meus preferidos, e espero um trabalho nesse nível mesmo. Agora com seu comentário, espero uma obra-prima. ai ai, não quero me decepcionar. Li comentários realmente negativos sobre o filme, mas sei não, não acredito neles, pois nunca vi um filme ruim dos irmãos [ok, Ajuste Final é lá essas coisas, mas...]. Estou esperando chegar aos cinemas aqui do Rio, algo que ainda não aconteceu. Vá saber por quê.
[]s!
Quero muito ver! Sendo dos irmãos Coen, com essa resenha e as 5 estrelas..rs
Santiago, concordo.
Alex, o filme certamente não tem o ar “for fun”, dos filmes que você citou. Não sei se esse estará no topo da lista dos melhores do ano, mas, por enquanto, é o número 1.
Jeff, eu achei tudo isso sim. Espero que vocÊ também ache heehe.
Nat, Você eu tenho certeza que vai notar as sutilezas do filme que tem o peso de uma bigorna! Depois me diz o que achou!
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