04.01.10

Lula, o Filho do Brasil

por Pedro Tavares

Depois de acusações de oportunismo eleitoreiro e distorção de visões e motivações políticas, Lula enfim chega aos cinemas. Chega e não arremata grandes marcas, pois a visão dos fatos que Fábio Barreto entrega vem com os dois pés fincados em aspectos melodramáticos pobres.

Lula, o Filho do Brasil é a história de um homem comum. Da infância sofrida até a luta pelos direitos da classe operária, toda a intenção de desbravar o homem que hoje nos representa vem mastigada para o espectador sob a imposição de uma trilha sonora quase fúnebre. Barreto o mostra em momentos de descontração e de tristeza, mas nunca muda seu ponto de vista e muito menos se afasta de Lula, talvez para não deixar nosso inconsciente trabalhar, pois o peso da obra vem de sabermos quem é, de fato, o tal Luiz Inácio. A narrativa, por se aproximar demais do protagonista, inibe diálogos maiores de coadjuvantes, como Lindu, personagem vivida por Glória Pires de forma primorosa.

Tal escolha leva Barreto a um bem necessário: O endosso e posicionamento de bons diálogos. Mas seu proceder é falho, pois volta e meia eles caem na previsibilidade ou num jogo de cintura para cumprir obrigações contratuais, sem se importar muito em acumular os fatos e sim comprar uma indulgente  corrida contra o tempo.

No geral, Lula, o Filho do Brasil consiste em uma série de elipses que registram momentos mais relevantes da vida do presidente – alguns desconhecidos e delicados o bastante para não ganhar um aprofundamento maior para evitar discussões políticas – carregados significativamente de elementos cinematográficos manipuladores, mas sem conseguir fugir da pieguice de um frágil melodrama.

2star

LULA, O FILHO DO BRASIL (Idem, Brasil, 2010) Direção: Fábio Barreto Roteiro: Fernando Bonassi e Denise Paraná Elenco: Rui Ricardo Dias, Glória Pires, Cléo Piores, Milhem Cortaz Duração: 130 min

9 Responses to “Lula, o Filho do Brasil”

  1. Fernando disse:

    Apesar de parecer fraco – o trailer já demonstra isso – quero assistir para tirar as próprias conclusões sobre qual a real intenção de produzir um filme tão caro como esse em ano de eleições…

  2. Vinícius P. disse:

    Desde que começou sua divulgação não imaginava que fosse um grande filme mesmo, mas ainda assim quero ver.

  3. Prefiro não perder tempo!

  4. Bruno Soares disse:

    cara, eu vou ver isso aí amanhã. sério, tenho medo naum.

  5. Wally disse:

    Não espero absolutamente nada do filme. Só tenho medo mesmo do quanto o retrato pode ser superficial.

  6. Vi ontem. Também achei apenas regular. E ao contrário de muitos criei boas expectativas em relação ao projeto, o que talvez tenha acentuado minha decepção. Achei a primeira metade (principalmente seu início onde é retratada a infância sofrida tanto em Pernambuco com em Santos) bem melhor do que a segunda (onde vemos o Lula sindicalista). Seu grande trunfo é mesmo seu elenco, com Glória Pires maravilhosa e um Milhem Cortaz marcante. Sem falar na grata surpresa Rui Ricardo Diaz como Lula (ainda que tenha me incomodado um pouco o fato dele não manter o timbre de voz do Lula real o tempo todo). Abs!

  7. Malu Andrade disse:

    cinematograficamente é de uma pobreza!!E politicamente é de um oportunismo inacreditável!

  8. Pedro Tavares disse:

    Talvez o oportunismo venha pela data de estréia, com Lula na presidência e num ano de eleições. Cinematograficamente, acho um filme ordinário.

  9. Pedro Tavares disse:

    O lance do timbre é irritante. Numa cena ele fala igual ao Lula, na outra, não. O começo é mais agradável por uma simples explicação: A paciência é maior. hehehe

    abraço!

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