
por Natália Alonso
Psicose é a obra prima de Alfred Hitchcock, todos sabem. Que o diretor ficou conhecido como o “Mestre do Suspense”, também não é novidade. Disque M para Matar, Um Corpo que Cai e O Homem que Sabia Demais são exemplos de películas com temáticas parecidas, que fizeram com que Hitchcock, tão merecidamente, recebesse tal título. O que poucos sabem é diferenciar seus filmes, conhecê-los mais a fundo e analisá-los, por possuírem a ideia de que os filmes do mestre são “suspenses” e pronto. Não poderiam estar mais enganados. Em se tratando de Alfred Hitchcock, nada é “simplesmente” ou “basicamente” um “suspense”, pois ele tem a minúcia de construir cada detalhe de seus personagens, cada patologia psicológica, perturbação da mente e cada perfil psicopata. Não é à toa que seus filmes nos prendem à tela quase que sem piscar até o último minuto. E mesmo utilizando temáticas parecidas, consegue construir finais surpreendentes, diferentemente dos clichês que vemos atualmente. E o que é melhor: sem as patéticas “lições de moral” que encontramos nos blockbusters de Hollywood.
A Sessão Naftalina de hoje apresenta Os Pássaros, que, curiosamente, é um longa com um tema um pouco diferente dos que o mestre do suspense costuma retratar. Nos bons tempos em que a moda de adaptar “Best Sellers” (e que os “Best Sellers” eram realmente “Best”) para o cinema não existia, Hitchcock baseou-se em um conto de Daphne Du Maurier para criar Os Pássaros. Existiam sim crimes, mistério, medo e o tão famoso suspense, mas não havia um assassino com um perfil cuidadosamente estudado e traçado, pelo menos humano, mas sim um quê de sobrenatural, os pássaros, que entitulam a própria película, é que eram os responsáveis por todo caos e desordem ocorrentes no filme.
Melanie Daniels (Tippi Hedren) conhece Mitch Brenner (Rod Taylor) em uma loja de pássaros, ele procura por “Love Birds” (Agapornis) para presentear a irmã caçula Cathy (Veronica Cartwright) em seu aniversário. Melanie, interessada, acaba descobrindo que Mitch passa os finais de semana em Bodega Bay, uma cidade do interior da Califórnia e resolve comprar os pássaros e entregar a Cathy. Porém, misteriosamente, após sua chegada, pássaros de todas as espécies juntam-se em bandos e começam a atacar os moradores, causando mortes e pânico em toda a região.
Cenas sem diálogos e tampouco trilha sonora, a qual é inexistente no filme, comprovam a habilidade cinematográfica do mestre, quando, uma tomada de vários minutos em que uma mulher atravessa um rio em um barco motorizado pode fixar a atenção mais do que uma cena modificada por computação com efeitos especiais de última geração.
A aparição do diretor durante o filme se dá logo no início e é muito rápida, como de costume. Outra característica marcante do cineasta é o perfil de seus papéis principais femininos: geralmente loiras elegantes, bonitas e discretas, com a habitual “sensualidade” aparentemente contida, que como ele mesmo revelou e pode ser lido no livro “Hitchcock / Truffaut – Entrevistas”, não eram como Brigitte Bardot e Marilyn Monroe, que tinham o “sexo” estampado em suas faces.
Sobrenatural o suficiente para que seja assustador, suspense na medida certa do mestre, personagens bem trabalhados e complexos. Impassível de comparações com quaisquer películas criadas neste mundo contemporâneo comercial, onde os “mistérios” são desvendados pelos próprios espectadores no início da trama, perto de Hitchcock, um suspense que não seja do diretor, torna-se mediano.
Ressaltando sempre que Hitchcock, como todo mestre, não é passível de explicação, e sim, de apreciação. E que qualquer análise é prematura, somente a mente mirabolante de Alfred poderia revelar detalhes e explicações, que até hoje muitos buscam assistindo e re-assistindo as obras do cineasta.
“…Pensando bem, podemos chamar o diretor de “repetitivo” quando falamos de seus “finais”, pois possuem uma característica em comum: são surpreendentes.”
OS PÁSSAROS (The Birds, EUA, 1963) Direção: Alfred Hitchcock Roteiro: Evan Hunter Elenco: Rod Taylor, Jessica Tandy, Suzanne Pleshette, Tippi Hedren Duração: 119 min





Com muita vergonha digo que sou um cinéfilo, que nunca tive a chance de ver nada do mestre!
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Eu gosto de OS PÁSSAROS mas o meu predileto do mestre é INTRIGA INTERNACIONAL. E JANELA INDISCRETA.E O HOMEM QUE SABIA DEMAIS.
Abs!
É um dos filmes mais atmosféricos e meticulosamente orquestrados que já assisti. Mas meu preferido dele ainda é “Um Corpo que Cai”.
Cecilia, te indiquei para um Meme. Se tiver interesse em participar, passa no http://www.allstarvelho.wordpress.com .
Abração!
Sandro, obrigado, mas a Cecília fica no Cenas de Cinema hehehehehe.
Também gosto muito de INTRIGA INTERNACIONAL, não sei se é o meu favorito, mas certamente está entre os favoritos.