Guerra e cinema sempre andaram lado a lado. Foi durante a guerra civil americana que desencadeou uma grande evolução da tecnologia visual, junto com a evolução dos dispositivos de guerra. Elas se desenvolveram juntas e foram usadas nas guerras como balões com câmeras para estudar o território inimigo posteriormente. O mestre D.W Griffith fazia planos gerais de campos de batalha em O Nascimento de uma Nação com intuito de propagandear os aliados na guerra. Já na segunda guerra mundial, Adolf Hitler usava o cinema para divulgar suas “boas” intenções através de filmes publicitários. O que Quentin Tarantino faz em Bastardos Inglórios é uma espécie de releitura desses filmes, idealizando uma nova forma para terminar a segunda guerra, sem esquecer a veia panfletária e muitos menos seu lado pop.
Nada mudou. Tarantino continua suas referências (começando pelo nome do longa, “carinhosamente” roubado do filme italiano homônimo de 1978), citações, fetiches, divisão do filme em capítulos, flashbacks, homenagens (em certa cena do filme, fica clara a homenagem à Scarface de Brian De Palma transformando Eli Roth num Al Pacino de segunda), entre outros maneirismos do diretor, a construção de seu novo filme também serve a cartilha que o consagrou, que já na seqüência inicial podemos ver para o que ele veio: Ele desdramatiza toda seqüência que é domada pela tensão com diálogos que fogem totalmente de sua proposta.
O senso rítmico de Tarantino faz Bastardos Inglórios voar como uma das dezenas de balas disparadas no filme. Acompanhamos duas tramas paralelas fincadas na vingança: A do grupo de Aldo Raine (Brad Pitt) e de Shosanna (Mélanie Laurent, brilhante). Se a vingança é outro tema batido pelo cineasta, ele sabe usar de forma coerente e balanceada para que as duas tramas não disputem a empatia do espectador. Tarantino faz a opção de não levar sua trama tão a sério quando exclui cenas de ação para impor seus geniais diálogos, impedido que ela chegue ao seu extremo de forma banal.
Tarantino afirma de uma maneira irônica que o filme é sua obra-prima. Isso só o tempo nos dirá, mas é certo que o filme tem potencial e mérito suficiente para ganhar tal status. O cineasta não perdeu a forma que o tornou um dos maiores diretores do cinema contemporâneo, mesmo tropeçando em pequenos momentos no próprio ego (que ele vem fazendo desde À Prova de Morte), os acertos de Tarantino são tão geniais que suas gafes passam em branco.
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BASTARDOS INGLÓRIOS (Inglourious Basterds, EUA/Alemanha, 2009) Direção: Quentin Tarantino Roteiro: Quentin Tarantino Elenco: Brad Pitt, Christoph Waltz, Mélanie Laurent, Eli Roth Duração: 153 min





Bastardos Inglórios é o filme definitivo do Tarantino.
Por aqui, este vai ter uma seção especial na quarta-feira … eu estarei lá aguardando.
Incrivelmente bem elogiado, Bastardos Inglórios vem sendo considerado o melhor filme de Tarantino e olha que é gente que entende muito de cinema… Vou ver hj!
uma mistura de realismo com humor, filme normal sem muitos elogios
uma mistura de realismo com humor, filme normal sem muitos elogios, mas é legalzinho
Pietro, ainda considero “Pulp Fiction” como sua obra referencial.
Fernando, aguardo suas considerações sobre o filme.
Edmilson, acho que “normal” não cabe a nenhum filme de Tarantino. abs.
Fazia algum tempo que um filme tão popular não suscitava tanta reflexão em comentários ricos. Tarantino veio para ficar mesmo.
Pedro, assisti o filme e reli seu post. Interessante seu paralelo entre Guerra e Cinema para explicar Inglórios Bastardos. Posso dizer que para mim é o melhor filme da temporada, ao lado de Anticristo.
Fernando, eu concordo contigo. E obrigado por reler o post.
[...] Tavares CINEMA O RAMA “Tarantino afirma de uma maneira irônica que o filme é sua obra-prima. Isso só o tempo nos [...]
Nem sei o que comentar. Só que parece genial, ao menos é o que todas as críticas indicam.
Não sei se é o filme definitivo do Tarantino que o Pietro falou lá em cima, mas é um puta filme. Um dos melhores do Tarantino sem dúvida. Talvez seja o velhor visualmente.
Escrevi sobre no meu blog tb (mas é em Inglês).
Parece ser sensacional! Mas Tarantino sempre é, né…
Para mim, é no momento, o melhor filme da temporada, inclusive, com as melhores atuações, e com o melhor roteiro original. Tarantino ao mesmo tempo que subverte a História ao seu bel-prazer em Bastardos Inglórios, faz História nas páginas douradas da sétima arte. Acredito ter assistido um novo clássico do cinema. No mais, parabéns pelo texto!
Abraço.
Oi Elisa, muito legal ver você por aqui. Vou ler sua resenha. Apareça mais vezes.
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[...] lançamentos: This Is It, Distrito 9, Salve Geral, Bastardos Inglórios, Aconteceu em Woodstock, (500) Dias com Ela, [...]
[...] obras favoritas ao prêmio máximo da noite representam explicitamente esses adjetivos. São elas: Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino, Guerra ao Terror de Kathryn Bigelow e Avatar de James Cameron. Eles [...]
[...] Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) [...]
Bom demais.
[...] brasileira se pôr a trabalhar para colocar os filmes nas telas. Mas, depois do lucro de Bastardos Inglórios, não foi difícil alguém se pôr a trabalhar pra colocar os EUA com ares de anos 70 que Quentin [...]