01.04.09

A Partida

por Pedro Tavares
Para alguns, a morte é o fim. Para muitos, apenas o começo. Lá pelas tantas de A Partida, temos essa questão levantada por alguém que já a espera. O filme que levou o Oscar de filme estrangeiro deste ano nos mostra que a morte ainda pode ser alcançada enquanto ainda estamos respirando sem ser piegas. Yojiro Takita nos presenteia entre belas paisagens e a obscuridade do assunto, com uma direção coesa e escolhas técnicas certeiras, que fazem que o filme faça um breve passeio por nossas retinas, mas que consegue fazer uma longa jornada pela mente.
Daigo Kobayashi é um jovem que sonhava em tocar cello em uma orquestra em Tokyo, sonho este, que logo foi tomado de suas mãos. Como refúgio, resolveu voltar a sua terra natal, onde sua falecida mãe o deixou uma casa para morar. Lá, ele arruma um emprego que foge da normalidade: Ele embeleza os cadáveres antes do sepultamento ou da cerimônia de crematório. Estas cerimônias no Japão ocorrem junto ao velório, onde os familiares podem se despedir, enquanto, ela é embelezada, com extrema elegância e cuidado, algo que de certa forma, tira um peso da perda, tira as impurezas do mundo e valoriza a vida da pessoa.

Mas Kobayashi tem que enfrentar alguns obstáculos com sua volta: Os fantasmas do passado e seu trauma com o abandono do pai, que vem com o inconseqüente rancor infantil que é regado a cada lembrança. Fora isso, ele tem que lidar com o preconceito vindo da vizinhança e de sua própria mulher referente à sua profissão. O refúgio real não vem de sua cidade natal e sim da sua rotina e de quem está ao seu redor, com excelência e lealdade, Kobayashi sabe que só assim poderá se livrar do que o atormenta.

O filme pode ser dividido em duas partes: A primeira é mais dinâmica e se preocupa em ser mais didática aos problemas e conflitos dos personagens, com leves inserções de humor para tirar a morbidez do assunto principal do filme. A segunda parte tem cenas mais longas e introspectivas, sendo clara a opção do diretor de captar emoções reais dos atores, mas sempre coberta por uma simplicidade que tira qualquer excesso melodramático da narrativa.

Yojiro Takita não se preocupa em fazer questões profundas sobre a morte e deixa isso para o espectador que se dispõe a tal tarefa, se preocupando em registrar o cotidiano de forma mais densa, mais obscura e com longos raios de sol e um conflito que não se mostra intenso sob a pele de Kobayashi, mas que ronda a trama do começo ao fim e mesmo que caia na previsibilidade em certos momentos, o filme cativa, sem titubear, assim como o seu personagem principal em seu ápice emotivo.

A Partida (Okuribito, Japão 2008)
Direção: Yojiro Takita
Roteiro: Kundo Koyama
Elenco: Masahiro Motoki, Tsutomu Yamazaki, Ryoko Hirosue, Kimiko Yo
Duração: 126 min

18 Responses to “A Partida”

  1. Alex Gonçalves disse:

    Eu me lembro que fiquei surpreso por este filme ter vencido o Oscar este ano na categoria de melhor filme estrangeiro. E enfurecido também, já que perdi 100 pontos num bolão por causa disso, rs. Mas em breve pretendo assisti-lo, pois gosto de filmes cuja premissa lida com a morte.

    Abraços!

  2. Ibertson Medeiros disse:

    Também adorei esse filme. Realmente mereceu o Oscar de melhor filme estrangeiro, batendo de frente com obras tão fortes como Revanche ou Valsa com Bashir.
    Seu blog é ótimo, vou adicioná-lo.
    Abraço.

  3. Tiago Ramos disse:

    Foi a grande surpresa dos Óscares deste ano e ando a tentar encontrar forma de ver o filme. Para além disso, a crítica despertou-me ainda mais a curiosidade.

  4. Gema disse:

    Agora fiquei curiosa de ver este filme.
    Gosto sempre de ver filmes deste género, vou ficar de olho, para ver se consigo vê-lo de alguma maneira ;)
    Bjks

  5. pedro tavares disse:

    Alex, entre Depatures e Valsa Com Bashir (foram os dois que eu conferi até agora), fico, de longe, com Departures! Apesar de ter votado em Valsa com Bashir…

    Ibertson, muito obrigado! Ainda não conferi os outros filmes desta categoria, mas pretendo ver Entre os Muros da Escola neste final de semana.

    Tiago e Gema, vejam quando entrar em cartaz por aí, pois vale a pena! :)

  6. - cleber . disse:

    È esperar este chegar por aqui mesmo! Tá complicado!

  7. Rodrigo Mendes disse:

    Olá Pedro..blz?
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  8. Mário Sérgio disse:

    Pela resenha me parece muito bom, e poderia até beliscar mais alguns Oscars, e outras premiações. Além de Melhor filme estrangeiro.

    Existe alguma previsão para a estréia do filme por aqui ?

  9. Aninha disse:

    Fiquei muito curiosa para ver o filme, me interesso muito por temas como esse.
    Enfim, fiquei muito feliz com o seu comentário em meu blog, espero que volte mais vezes, porque com certeza, por aqui passarei muitas outras vezes.
    Beijos

  10. pedro tavares disse:

    Mário, infelizmente o filme não tem previsão de estréia por aqui.

    Ana, muito obrigado e visitarei mais vezes o seu blog! beijos

  11. F. Pellicer disse:

    Ah-rá!
    Esperava por esse post! rs
    Ainda continuo minha saga para encontrá-lo para download…

    assim que assistir, te conto o que achei!
    abraço!

  12. Jeniss Walker disse:

    interessante. até agora, só boas referênias desse filme. providenciarei-o.
    abraço, rapaz :)

  13. Sérgio Déda disse:

    Estou louco para ver logo este filme…

    Estou voltando à ativa depois de um tempo parado.

    Abraços!

  14. Vinícius P. disse:

    Já queria ver esse filme por causa do Oscar, mas agora que todos estão falando bem, fico ainda mais ansioso…

  15. Natália A. disse:

    Não quero ver, tenho preconceito com cinema oriental. HAHAHAHHAHA (todo mundo fazendo comentário construtivo, mas o meu superou fala a verdade!)

  16. pedro disse:

    Natália, a verdade é que você perderá um bom filme.

  17. [...] fantasmas do passado e a reflexão sobre a morte no vencedor do Oscar de Melhor filme estrangeiro A Partida; O sonho de fugir do marasmo e da falta de opções em Lake Tahoe; O particular acerto de contas em [...]

  18. [...] PARA TODOS Matheus Pannebecker CINEMA E ARGUMENTO Otavio Almeida HOLLYWOODIANO Pedro Tavares CINEMA O RAMA Rafael Carvalho MOVIOLA DIGITAL Tommy Beresford CINEMA É MAGIA Vinícius Pereira BLOG DO [...]

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