Na busca intensa da realização de um sonho, Falsa Loura, último filme de Carlos Reichenbach, guarda em seu subtexto uma questão interessante a respeito da beleza e da adaptação à escolhas quando a condição financeira é baixa, porém completamente irregular para mostrar o retrato de uma brasileira.
Silmara também não poupa esforços para se divertir e quando tira o seu uniforme, adota uma imagem sensual e impõe o respeito com uma personalidade forte com suas frases de impacto, curtas e grossas. Mas o que acontece é uma trama que não se sustenta para contar como Silmara pode chegar ao seu sonho que é conhecer dois artistas de música brega, acreditando em suas loiras madeixas. Os sonhos e as dificuldades são poucos explorados, fazendo que os acontecimentos não tenham tanta lógica pelo o que é proposto cena após cena, um verdadeiro samba do crioulo doido.
Ela é apaixonada por artistas bregas e o filme segue as vontades de Silmara, proporcionando cenas de péssimo gosto proposital, mas longas demais, para mostrar o raso êxtase da moça, sem ter um gênero certo a seguir, como a vida, mas com uma irregularidade, que leva ao inevitável cansaço. A comédia, o drama, até o musical podem ser inseridos aqui, junto com a esquizofrenia nossa de cada dia, mas sem uma narrativa coerente. E talvez ela, a esquizofrenia inserida no roteiro parece funcionar melhor no filme, junto com a esforçada Rosane Mulholland. A simplicidade do filme é clara e a honestidade com que eles são tratados, inclusive pela escolha de atores como Maurício Mattar, Léo Áquila e Susana Alves (a eterna Tiazinha do H).
Para sustentar uma imagem, Silmara não mede as palavras e morde a língua, mas por outro lado é jogada em uma verdade em que ela não gostaria de ver. O filme possui boas idéias, mas parece andar por uma linha que só ousa sair para lado absurdo.
Falsa Loura (Idem, Brasil 2007)
Direção: Carlos Reincheinbach
Roteiro: Carlos Reincheinbach
Elenco: Rosane Mulholland, Cauã Raymond, Maurício Mattar, Susana Alves.
Duração: 101 min






Particularmente, eu gostei muito deste filme – apesar daquelas sequências meio fantasiosas. Acho que ele toca num ponto fundamental da sociedade brasileira: a vontade de ascender socialmente. O interessante é ver que Silmara parece uma personagem fútil, mas ela tem algumas características pessoais bem interessantes, especialmente no que diz respeito aos seus relacionamentos familiares.
Parabéns pelo blog!!!
Não tive a chance de ver, e segundo você seria perda de tempo !
Lembrando que, seguindo uma das regras do “Olha que Blog Maneiro”, tenho que avisar sobre o selo que coloquei no blog para você repassar.
Ai perde tempo vendo cinema brasileiro não, rs!
As minhas últimas experiências com tal foram péssimas e só reafirmam o que sempre pensei: ruim, ruim, ruim.
Kamila, achei que o Carlos tinha boas intenções, mas não soube construir o filme com coerência. Obrigado pela visita!
Nossa, sua opinião foi a mais negativa que vi sobre o filme. No geral, ouvi bons comentários. Mas não diminuiu minha vontade em assisti-lo, tentei ver ano passado mas acabei deixando passar. Sempre procuro ver filmes brasileiros, tem muita coisa ótima em meio a muita coisa ruim.
[]s!
Também fiquei muito decepcionado com esse filme. Pelo que eu tava lendo esperava que fosse bem melhor, mas sinceramente o filme não acerta em praticamente nada!! Concordo e muito com sua avaliação!
Marcel, obrigado! Já estava achando que eu era um brasileiro sem coração e que pegava pesado com os filmes nacionais.