Já na emocionalmente explosiva seqüência inicial, sabemos o que esperar da história. A princípio elipses são usadas para nos situar, mas logo entramos em uma história linear e que funciona melhor, de fato. Frank e April Wheeler formam um casal aparentemente perfeito. Bonitos, bem sucedidos e com um casal de filhos, são invejados pelos vizinhos de Revolutionary Road (nome do filme em inglês) e referência no trabalho, mesmo que seja por acidente e contra a vontade de Frank.
April abandonou seus sonhos de ser atriz para cuidar dos filhos e Frank nunca ousou em mudar de emprego. Acomodados e infelizes, o rumo é certo e as questões levantadas muito relevantes. Será realmente válido viver numa segurança aparente e deixar o tédio domar nossas vidas? April tenta mudar o destino do casal ao propor uma mudança radical. Das obrigações do dia-a-dia surgem as decepções e uma conseqüente revolta, levando a atos impulsivos. E no meio de todos os conflitos, o filho do vizinho, Michael Shannon, com problemas de sanidade, aparece em momentos cruciais como uma espécie de espelho para o casal, vomitando palavras que os dois resolvem prender e consequências claras para Frank e April.
Presos a uma cultura social e vivendo sob tais regras que podemos resumir em provas e aparência, o casal grita pela urgência da vida, por viver e não sobreviver. As insatisfações são claras, vidas que foram criadas apenas nas mentes, uma vida paralela, que em questão de tempo virariam verdade. April vai se afogando nas mágoas e nas revoltas contra um sonho perdido com uma atuação incrível de Kate Winslet, já Frank sempre tentando controlar a situação que já foi perdida há muito tempo, mostra que também é humano papel exercido com divina segurança por Leonardo Di Caprio entre a técnica impecável e uma direção segura de Mendes, mesmo com a linearidade óbvia é domada pelos conflitos que não deixam o filme perder o ritmo.
O filme é sobre a insatisfação, realmente. Mas muito mais sobre a luta contra ela. Duas vidas lutando, em caminhos por muitas vezes opostos e como vemos na cena final, a ilusão de nos adequarmos a certas regras e morais impostas.
O filme recebeu três indicações ao Oscar deste ano: Ator coadjuvante, direção de arte e figurino. Estréia nesta sexta-feira nos cinemas do Brasil.
Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, EUA/Inglaterra 2008)
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Justin Haythe
Elenco: Leonardo Di Caprio, Kate Winslet, Michael Shannon, David Harbour.
Duração: 118 min.






Pelo visto este casal dá um sentido totalmente diferente ao “…e viveram felizes para sempre”. Pelo menos é o que entendí da história ao ler seu post.
Importa-se se eu acompanhar seu blog?
Estreou gente. Preciso ver. :] Os comentarios sao bons né gente.
Beijo
Certamente o filme dá outro rumo ao “sonho americano”. E os comentários são favoráveis mesmo…
Pedro, como vai? Primeiramente, obrigado pela visita ao Bit of Everything.
Agora, permita-me discordar de vc. Assisti ao filme e achei o roteiro extremamente falho que, no geral, não me convenceu. A direção de Mendes não chega nem perto de ser como a genial de Beleza Americana. Minha nota será bem mais baixa que a sua (publicarei meu texto na segunda-feira). O elenco é interessante, com destaque aos incríveis coadjuvantes (Kathy e Michael) e para Kate que, apesar de não ser fã dela, vejo uma atuação fantástica. Já Leonardo não me agrada aqui; sua atuação é exagerada e, por oras, ele parece um bebê birrento e chato em cena, rsrsrs.
CUMPS!
Oi Kau, de fato o filme divide opiniões. Mas tenho que discordar de você hehehe! Mendes não chega perto de Beleza Americana mas continua um ótimo diretor e acredito que Di Caprio tenha sido um marido surtado na medida certa, Já a Kate, merecia a indicação por esse filme! []’s!
[...] na internet, ela parece se interessar por outro homem. Apesar de não ter a mesma intensidade de Foi Apenas Um Sonho de Sam Mendes por não se focar na tragédia, Kendrick se aproxima de Mendes apenas nas cenas de [...]
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