Antes de qualquer coisa devo avisar que as palavras abaixo podem se misturar, de uma simples crítica de um filme com os meus sinceros sentimentos. E estou muito perturbado pra poder separar as coisas no momento. E por mais ridículo que possa parecer…lá vai:
Fui conferir o documentário “Kurt Cobain – Retrato de uma Ausência” no último dia do Festival do Rio. Kurt Cobain se matou quando eu tinha 10 anos de idade e me lembro quando minha mãe me mostrou o jornal e disse “Olha, ele morreu.” E eu sentei no sofá da sala e fiquei um dia calado. Nunca fui um fã, daqueles que compravam posters e sabia tudo sobre a banda, até porque um menino de 10 anos não se interessa muito e pensa muito mais em jogo de botão. Mas eu já tinha o Nevermind e o Incesticide e ouvia todos os dias e brincava de air guitar na sala de casa, coisa de muleque. E assim eu cresci, sempre ouvindo os discos do Nirvana.
E ao ver o longa que foi um projeto de entrevistas durante um ano com Kurt, todas feitas durante meia-noite e seis da manhã, eu me vi diante de um espelho. Kurt cuspiu palavras que poderiam sair da minha boca. É estranho pois muitos idolatram os Beatles ou os Rolling Stones mas eu nunca idolatrei Kurt e o Nirvana, pois eles foram a última grande banda de que se teve notícias e foi a única banda assim que tive oportunidade de ver crescer e virar o que virou. Mas Kurt é o único artista que me pego pensando sobre a vida ou como ele estaria, como ele se sentia…e o mais esquisito, sinto saudades.
Kurt revela seus mais sinceros sentimentos sobre a vida, sobre sua relação quase nula com seu pai, sobre seus problemas com os amigos, problemas com a banda…e era perfeitamente igual. Quando Kurt fala sobre suas dores estomacais que eram emocionais a identificação é automática. Um cara que se queixa da pífia relação com o pai e que as pessoas acham que sempre está de péssimo humor pois não abre um sorriso para qualquer um porque não quer ser falso e todos o consideravam um babaca por isso é talvez o maior murro que Kurt poderia dar numa sociedade que releva a imagem e não o conteúdo.
As entrevistas parecem não ter barreiras ou fronteiras para Cobain, que era tão nulo durante entrevistas para alguns veículos de comunicação. Aqui, Kurt fala sobre sua relação com as pessoas e o mundo e como ele gostava de ficar recluso em seu apartamento pois não fazia muita diferença se ele saísse ou não. Ele sabia que estaria sozinho em casa ou no meio de um mihão de pessoas de qualquer maneira. Ele preferia passar a noites com o seu aparelho de som e sua guitarra. O punk rock foi importante pra vida dele, que acabou moldando sua personalidade e a maneira de ver o mundo e o fez voltar a olhar pra trás, quando teve uma vida boa e que o punk rock significava a juventude, algo bom para ele, assim ele fez uma tatuagem do Kleenex para lembrar de nunca envelhecer.
De um pequeno muleque com uma boa infância que achava que o mundo cabia na palma de sua mão, que poderia ser presidente se quisesse à um adulto enclausurado dentro de um apartamento usando heroína, Kurt conta o seu trajeto. O Filme basicamente se torna na entrevista de Kurt e imagens que completam as declarações, algumas com metáforas e outras bem claras, mas todas com fotografia excelente e a escolha dos locais corretos passando por onde Kurt viveu, local por local. Tudo é muito bonito, muito poético, muito bucólico. Algumas animações e fotografias também foram inseridas, mas na maior parte do tempo AJ deixa que sua imaginação trabalhe junto com as palavras de Kurt.
Engraçado como Kurt fala diversas vezes de suicídio e da morte como se ele fosse demorar a morrer, o que ocorreu um ano depois da última entrevista. Kurt se mostra uma pessoa muito sincera e insatisfeita com o modo que as pessoas se relacionam, como a música estava perdendo a força e que em anos pessoas usariam fones de ouvidos e apenas usariam suas guitarras para transar com meninas e usar roupas descoladas (soa familiar?) e como a prepotência de certas pessoas atingem a sua vida. Principalmente dos jornalistas, que Kurt jura vingança.
Mas, Kurt mostra que estava satisfeito com a sua vida naquele momento, que tinha sua filha, que Francis ajudava muito a esquecer dos problemas e que o seu amor por Courtney fazia o mundo girar e que ela o ajudava sempre, pois ele já não era levado á serio por muitos, mas que ela o colocava no lugar que deveria. E espero que ele esteja no lugar que merece.
“Kurt Cobain: Retrato de Uma Ausência” EUA, 2007. Estrelando: Kurt Cobain (Narrador) Diretor: AJ Schnak






acho que foi bom você ter visto sozinho então.
Amo o Kurt e o Nirvana (embora não escute tanto hoje em dia). Me parece um retrato bem sincero.
Não curto drogas, detesto som alto, não sou tipicamente uma fã dos tipos como Nirvana, mas quando lia as letras ou os via em rebeldia pura as vezes me punha no lugar do Kurt, ele tinha pensamentos que temos os jovens hoje, é altamente atual, e também sofria pelas negações e descrenças ainda existentes sobre aqueles que não maqueiam suas pelavras e expressam seus pensamentos.
Bruno, é tão sincero que me causou tal perturbação após o filme. Tem dois anos que assisti o filme, mas o impacto do filme durou por algum tempo.
Rita, o filme não tem o poder e nem a tendência de julgar o Kurt como usuário, suicída, o que for. É um RETRATO, como diz o título do filme em português. Kurt era um cara genuíno e não ligava muito para o que sua obra causava e quem poderia alcançar e ao mesmo tempo era tão vaidoso que conseguia trocar os pés pelas mãos. Uma figura contraditória, mas com talento e impacto suficiente para sua obra ecoar até hoje.
Kurt representou uma epoca que não havia mais novidades no meio musical,ele foi um jovem muito sofrido,suas musicas fazem uma abordagem psicologica dos jovens da decada de 90 e de hoje,jovens como eu e você,embora eu seja já um adulto,pois temho 21 anos,ele era um cara muito talentoso.Ele deixa muita saudade,ele foi uma metefora do homem que não pôde controalr a propria vida.
Viva Kurt Cobain,as vezes em suas letras de musicas eu me vejo.
Eu concordo!
[...] entre 2008 e 2009. Sendo assim, ótimos filmes como Desejo e Perigo, Glória Ao Cineasta e Kurt Cobain – Retrato de Uma Ausência ficaram de fora. A mesmice talvez tenha sido a grande vilã do ano, tornando motivo de alguns [...]
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