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Crítica: Mulher à Tarde

INDIE – MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL

A nova safra de cineastas de Minas Gerais provavelmente é a mais fértil do país. Seja nos documentários (Marília Rocha é um bom exemplo) ou ficção (Dellani Lima, Tiago Mata Machado), o estado se iguala ao Ceará como o mais entusiasta e produtivo em obras audiovisuais independentes. E o melhor: o mesmo pode ser dito sobre a qualidade.

Mulher à Tarde de Affonso Uchoa segue o método do cinema conquistado na raça: com ajuda de amigos, roteiro adaptado aos recursos e experimentalismos. Através da câmera estática, Uchoa cria uma obra em constante desconstrução. Nas longas sequências, o filme dá indícios a analise de uma crise emocional entre três mulheres que dividem um apartamento. O roteiro guarda a interessante multiplicidade de possibilidades para as personagens que entre o silêncio e diálogos vazios, revelam uma relação torta e sem intenções claras.

Dividido em capítulos meramente ilustrativos, Mulher à Tarde subverte a dimensão do tempo com cortes secos durante a ação, enquanto expõe a irônica inerência das personagens, dormentes e solitárias dentro de um mesmo cômodo.

A atividade de contemplar o desmoronamento emocional destas mulheres satura-se quando motivações são implicitamente colocadas em pauta, prolongando-as e caindo em redundância por articular o lírico e o prosaico da mesma maneira.

 

 

MULHER À TARDE (Idem, Brasil, 2010) Direção: Affonso Uchoa Roteiro: Affonso Uchoa Elenco: Renata Cabral, Ana Carolina Oliveira, Luísa Horta Duração: 95 min

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Comments

Dewa
Reply

Queria estar lá, prlicnpaimente depois de ler o texto de vocês.Parabéns, ficou muito bomDelcy

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