Crítica: Para Poucos
Como alegoria máxima de Para Poucos está o encontro, que se atrela à modernidade e abre múltiplos tópicos de discussão sobre relações contemporâneas, mas com pouco proveito por Antony Cordier.
O figurativo nó que dois casais formam além do automático tópico sobre a rápida saturação de relações – acompanhadas da rotina e da criação dois filhos, que hoje serve mais como representação de sucesso do que a realização de um desejo – aborda como maior desafio à instituição familiar. Cordier recorre à imagem e transforma Para Poucos em filme-fetiche, explorando as vielas do prazer e da traição – e suas variáveis – e dispensa a profundidade dos conflitos e conseqüências.
Por estar à margem do que é “real” para seus personagens, Cordier cria um embate com o que parece óbvio: ser um filme de diálogos, onde o fiasco matrimonial criaria teias complexas e consequentemente uma narrativa pungente. O ato final flerta com esta proposta e coerentemente dá uma nova ótica ao filme e a questão em pauta.
PARA POUCOS (Happy Few, França, 2011) Direção: Antony Cordier Roteiro: Antony Cordier, Julie Peyer Elenco: Marina Fois, Élodie Bouchez, Nicolas Duvauchelle, Alexia Stresi Duração: 103 min Distribuição: Imovision
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