Crítica: Forças Especiais
Forças Especiais começa como um filme de Tony Scott, vira um filme de Michael Bay e termina como algum filme recente de Peter Weir. Após o fim, um letreiro explica que a película é uma homenagem aos soldados mortos no Afeganistão e aos jornalistas que se arriscam em zonas de guerra para informarem ao mundo. A nobre intenção, contudo, não salva o filme de sua falta de roteiro e absoluta inconsistência.
Helicópteros, homens paramentados, cortes rápidos, trilha crescente, câmera nervosa. A combinação “Tony Scott” de cinema nos joga para o meio da ação. Um grupo de soldados franceses das forças espaciais realiza uma ação precisa. Missão cumprida. O mesmo ritmo alucinado segue para o Afeganistão onde a jornalista Elsa (Diane Kruger) investiga as atrocidades de um líder Taliban. Descoberta, é capturada pelo grupo e mantida como prisioneira.
Desacelera. Festa de aniversário de Kovax (Djimon Hounsou), membro do grupo de operações especiais. Todos os outros membros estão lá. Mal a festa começa, são chamados para mais uma missão: resgatar a jornalista francesa. As decisões políticas e militares que levam à operação são mostradas com uma superficialidade embaraçosa, tamanho festival de frases clichês mal conectadas entre si.
Durante a operação – entre chegada, resgate e fuga – entra o cinema de Michael Bay. Câmeras contornam os soldados mostrando a ação com o melhor da estética “poser”. Cada tiro, deslocamento, avanço e recuo ganha um ar grandioso, heroico, viril. Sucedem-se atitudes de bravura, heroísmo sem sentido, apenas porque a cena resulta em mais uma pose para a câmera.
Entre uma pose e outra do esquadrão, o vilão Zaief, encarnado por Raz Degan, distribui malvadezas e ordens tirânicas. Quer cabeças. Difícil levá-lo a sério. Sua caracterização, seus olhos esbugalhados e cenho fechado lembram demais o boneco Achmed – O Terrorista Morto, personagem do ventríloquo comediante Jeff Dunham (procure no Youtube).
Depois das poses, o sofrimento. O plano de fuga inicial dá errado e todos eles têm de atravessar o deserto escaldante e as montanhas geladas na esperança de sobreviverem, enquanto são perseguidos por infatigáveis homens de Zaief. Entra então um pouco de Peter Weir. A vasta paisagem, os planos abertos da natureza bela e hostil. Os viajantes que seguem a pé lutando contra as intempéries, a trilha épica da grande jornada.
Forças Especiais é todo costurado com remendos preguiçosos, uma colcha de retalhos que resulta num filme desinteressante, inconsistente e sem sentido. É como se na ânsia de fazer cenas de ação e tiroteio com plasticidade e “estilo”, todo o resto tenha sido deixado de lado: personagens, argumento, roteiro e trama.
FORÇAS ESPECIAIS (Forces Spéciales, França, 2011). Direção: Stéphane Rybojad. Roteiro: Michael Cooper. Elenco: Diane Kruger, Djimon Hounsou, Raz Degan. Duração: 109 min. Distribuição: PlayArte





Tendo todo o estilo dos filmes de ação que não se preocupam com roteiro.
Abraço
Como dizem….puro escapismo.