Crítica: Compramos um Zoológico

21 de dezembro por Pedro Tavares | Nenhum comentário

Revestido da aura noventista que consagrou a carreira de Cameron Crowe com filmes como Say Anything e Singles – Vida de Solteiro, Compramos um Zoológico transpassa para as telas o livro homônimo de Benjamin Mee onde o próprio autor conta o escapismo de algumas fases do luto pela morte de sua esposa ao associar o trabalho de revitalização de um zoológico na Califórnia.

Edificante, o longa é preciso ao abordar a negação à morte e a intensidade das lembranças que logo se tornam conflitos entre Benjamim (Matt Damon) e seu filho Dylan (Colin Ford). A leveza da descoberta de um mundo de múltiplas oportunidades – remetente direto ao ideal americano que entroniza o trabalho como uma aventura em sua essência e alusória ao tom do reencontro com o patriotismo após 11/09 -, ganha perspectivas dicotômicas que pautam, no fim das contas, a maturidade e o amor fraterno.

A fuga do caos de uma metrópole se espelha na metafórica doença de um tigre no zoológico batem de frente à organicidade do filme de Crowe, que está mais preocupado em arrancar o melhor de seu elenco; desde a pequena e ótima Maggie Elizabeth Jones aos calejados Scarlett Johansson e Matt Damon. Esta irregularidade é vista por toda a duração de Compramos um Zoológico, que imprime à Crowe uma gama de sequências que desembocam na idéia de otimismo em relação ao recomeço. Um ode aos velhos em legitimidade.


COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO (We Bought a Zoo, EUA, 2011) Direção: Cameron Crowe Roteiro: Aline Brosh McKena, Cameron Crowe Elenco: Matt Damon, Scarlett Johansson, Colin Ford, Maggie Elizabeth Jones Duração: 124 min Distribuição: Fox

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