Subtende-se Algo?: Teoria Cinematográfica Francesa Contemporânea
Por Márcia Freddy
As atuais teorias de cinema são visíveis internacionalmente não apenas na França e Inglaterra, mas também na Itália, Espanha, Alemanha e na maioria dos países da Europa Ocidental. Porém, podemos afirmar que a França tem sido o berço das atuais tendências teóricas. As verdadeiras razões que residiram em Bazin e em seus bem-sucedidos esforços incorporam uma importante discussão sobre o cinema ao diálogo cultural considerado previamente hostil. Através dos cineclubes, da Cinemateca Francesa e da crítica série de publicações influentes e do nascimento da revista Cahiers du Cinéma, a população francesa – mais especificamente – do pós-guerra foi “bombardeada” de constantes teorias do cinema.
Bazin, liderando – por assim dizer – esse “renascimento”, levou para o cinema seus próprios métodos e, frequentemente, suas descobertas reconhecidas como filosofia, história da arte, crítica literária e psicologia. Impedido de se tornar professor, Bazin atuava inteiramente fora do sistema universitário considerado pela maioria como conservador (Para muitos dos seus discípulos na revista Cahiers du Cinéma, principalmente Jean-Luc Godard, consideravam-se intelectuais principalmente de “direitos civis” por causa de suas possíveis paixões por temas “não reconhecidos”).
O Instituto de Filmologia deu ao próprio cinema um grande prestígio e apressou – de alguma forma – a chegada de uma época em que os cursos de estudo do cinema seriam oficialmente sancionados pelo sistema universitário francês. Porém, é importante ressaltarmos que Bazin e seus seguidores tiveram pouco a ver com essa “organização”. Os mesmos achavam que seus membros estavam “saqueando” a “terra virgem” do cinema, pegando qualquer possível despojo que suas metodologias particulares capitavam a agarrar, voltando em seguida apressadamente a seus tradicionais pontos sociológicos e filosóficos (Para ele e para o geral que se tornaria a Nouvelle Vague, o estudo do cinema não era uma boa opção para os conhecedores frequentarem quanto estivessem cansados dos “barulhos” de seus próprios campos). O cinema era uma visão consumidora e um modelo de vida para a época.
No período em que Bazin faleceu, em 1958,o sistema universitário, através do próprio Instituto de Filmologia, tinha dado ao estudo sério do cinema pelo menos uma considerável aprovação tácita, contando que fosse feito de outra forma mais dentro das tradições das disciplinas pré-estabelecidas. Ao mesmo tempo, através da Cahiers (…) e de outras revistas, diversos estudantes devotos ao cinema se posicionaram e prontificaram a estudá-lo de uma maneira mais centrada, não com interesse “periférico” mais como algo tradicional. Além disso, os filmes da Nouvelle Vague começaram a disseminar uma concepção mais teórica do veículo (cinema), presente na maioria das revistas de crítica da época (O florescimento da própria teoria de Bazin pode/deve ser visto pela maioria como uma espécie de novos estilos e desenvolvimento de um público instruído pelo simples desejo de apoiar essas concepções). Em contraste, o florescimento da própria teoria contemporânea pode ser mais bem-visto nas salas de aulas universitárias, teses de doutorado e em revistas e livros altamente especializados sobre cinema. A transição da era do cineclube para a universidade sofreu forte influência de Jean Mitry (comentaremos sobre ele em breve). Apesar de ter nascido muito antes do próprio Bazin, Mitry pertence claramente a um estágio talvez mais novo da teoria do cinema porque se tornou, de fato, o primeiro professor de cinema reconhecido da Universidade de Paris.
A síntese que Mitry tentou fazer com as ideias de Bazin e do formalismo mais tradicional, era substituir o foco cinema tendo como embasamento o conceito “passado, presente e futuro do cinema” que a maioria dos teóricos, inclusive Bazin defendiam.
Apesar da fenomenologia, ou melhor, da substituição por uma estrutura de vida até mais intelectual, muitos teóricos de cinema aferram seus próprios métodos em meios dos quais não podem ser considerados ultrapassados.
Ao focalizarmos a era “pós-estruturalista”, perceberemos que muitos pensadores de todos os campos estão falando da emergência de um válido diálogo entre um estruturalismo científico, talvez externo, e uma reflexão. No cinema, esse diálogo seria, em grande medida, um refinamento e um desenvolvimento das teorias formativas e realistas.
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Sem isso, o esforço é válido, mas pode ser pouco prtiuodvo para tentar prever o futuro, missão de todas as Ciências.
Por isso que a teoria de Jean não funciona tanto como as outras.