Crítica: Os Nomes do Amor
FESTIVAL DO RIO 2011
FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS
Michel Leclerc concebeu Os Nomes do Amor como contraponto à discussão etno-política que insere na mesma receita a imigração, religião e a intolerância. Tal ideal vem da abordagem lúdica do tema, quebrando a dimensão do tempo, apresentando passado e presente na mise-en-scene.
Se Leclerc aborda a postura radical da política de direita francesa, ela é mero pano de fundo da trama de Bahia (Sara Fostier), esquerdista fervorosa que utiliza o sexo como arma política. Se ação e reação de conflitos religiosos estão em pauta, logo viram trampolim para o sarcasmo sobre a relação dos franceses com a guerra da Argélia. Essa ousadia teve reconhecimento, rendendo o César 2011 de melhor roteiro original e melhor atriz para Fostier.
Outro grande acerto do filme está na construção dos personagens, com características valiosas para definição de distintas visões e índoles políticas, e assim, moldá-los para, paralelamente, escrever um caso de amor. Leclerc foi por outro caminho, onde conteúdo e bom humor também são possíveis de despertar a passionalidade. Um conto que traz na medida conteúdo e diversão.
OS NOMES DO AMOR (Le Nom des gens, França, 2010) Direção: Michel Leclerc Roteiro: Baya Kasmi, Michel Leclerc Elenco: Sara Fostier, Jacques Gamblin, Carole Franck, Antoine Michel Duração: 104 min Distribuição: Vinny Filmes
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