Crítica: Se Não Nós, Quem?
Há algo que não se alinha na narrativa de Se Não Nós, Quem?. Talvez uma distopia que funcione como elemento análogo ao tempo que o filme retrata, mas que funciona de forma imperfeita. É algo complexo, como é complexa a história que o filme resgata; a de um tempo e de uma vida.
O tempo são os anos 60 em sua passagem para os 70 na Alemanha Ocidental e toda efervescência política e juvenil da época. A vida é a do escritor Bernward Vesper, que viveu esse tempo e deixou dele um legado inacabado, mas que preservou seu espírito distópico como poucos.
Vesper, filho de um escritor marcadamente nazista, sofre o peso da obra do pai em uma Alemanha ainda desorientada no expurgo da atrocidade que cometeu como nação. Ligado à literatura, monta uma pequena editora ao lado da namorada. Idealistas, se engajam, cada vez mais organicamente, em grupos de extrema esquerda. Assim, experimentam o espírito de seu tempo com um sabor amargo de extremismo, idealismo e impotência não percebida.
Na construção de sua narrativa e desejo de retratar o tempo e o homem, Se Não Nós, Quem? (o título é parte de um adágio da época que dizia: “Se não nós, quem? Se não agora, quando?), se torna irregular na medida que quer traduzir um tempo. Perde-se por vezes, embora sempre volte para o caminho certo. Nessa sinuosa toada, é feliz por trazer de volta uma história guardada muitas vezes à margem da História. Mas resulta numa obra cinematográfica que, com demasiada frequência, se arrasta como narrativa.
Por se imbuir de uma pretensão maior do que é capaz de realizar ou por compreender a importância do resgate que faz, o filme cede demais em cenas, planos e sequências que contribuem muito pouco para o andamento do filme. Nota-se um desejo de dar cores, nuances e complexidades à atmosfera que quer construir. Mas isso prejudica demais a atenção do filme e funciona mal em aprofundar seus personagens.
SE NÃO NÓS, QUEM? (Wer Wenn Nicht Wir, Alemanha, 2011). Direção: Andres Veiel. Elenco: August Diehl, Lena Lauzemis, Alexander Fehling. Duração: 124 min. Distribuição: Imovision
Posts relacionados:
Tags: Crítica




