Crítica: Carros 2
Carros 2 se inspira nos filmes de espionagem em continuação superior ao original
Texto por Leonardo Freitas
Confesso que considero Carros (2006) o filho “pobre” realizado pela Pixar e distribuído pela Disney. Apesar de ter arrecadado quase quatro vezes o que foi gasto em sua produção, não tem a pompa e emoção de outros tantos longas do estúdio, responsável por pérolas como Monstros S.A., Procurando Nemo, Wall-E, Up – Altas Aventuras e a impecável trilogia Toy Story.
Porém, John Lasseter e sua trupe decidiram virar a mesa e apresentar uma continuação superior ao original, uma tradição da Pixar, que comemora 25 anos em 2011. Em Carros 2 (Cars 2, EUA, 2011), dirigido por Lasseter (diretor de criação do estúdio) e Brad Lewis, tomando as rédeas de seu primeiro longa-metragem, as melhorias são inegáveis em visual e roteiro. Nota: aos fãs órfãos de Toy Story que forem ao cinema, ainda podem matar a saudade com a exibição de Férias no Havaí, que traz Woody, Buzz e companhia em um curta-metragem hilário exibido antes do longa.
Bom, chega de babar o ovo da Pixar e vamos ao filme. Relâmpago McQueen (novamente dublado por Owen Wilson), carro novato do primeiro filme é, agora, um campeão das pistas de corrida. Após um período de vitórias, ele retorna à pacata cidade Radiator Springs para rever a namorada Sally (Bonnie Hunt) e os amigos, em especial o caminhão-reboque Mate (Larry the Cable Guy). Prestes a disputar o grande Campeonato Mundial, ele terá de lidar com o egocêntrico e arrogante italiano Francesco (John Turturro), um carro de Fórmula 1 (qualquer analogia à Ferrari não é mera coincidência). Disposto a arrancar a taça de McQueen, Francesco e os outros carros precisam estar atentos a um plano meticuloso de alguém disposto a acabar com o campeonato a qualquer preço.
Com um prólogo de tirar o fôlego, Carros 2 bebeu da fonte dos melhores clichês dos filmes de espionagem para criar uma história com ritmo frenético, ação primorosa e um roteiro inteligente que, infelizmente, pode confundir o seu público infantil. Com uma trama repleta de reviravoltas e mistério, somos colocados dentro de um esquema que envolve disputa por petróleo e fontes de energia, temas tão em voga na atualidade. Bom para os adultos, mas nem tanto para os pimpolhos.
Porém, nem isso faz Carros 2 perder seus méritos. Apostando na manjada fórmula de destacar um personagem coadjuvante carismático e com responsabilidade de dar humor e carga dramática à história, temos no humilde e doce caipira Mate o grande destaque da animação (com McQueen no status de coadjuvante), colocado no centro do perigo, com direito até a um 007 de quatro rodas (Finn McMíssel, que ganhou a voz do britânico Michael Caine) e sua bela assistente Holley Caixa de Brita (Emily Mortimer).
Reciclando estereótipos de forma leve, passamos pela máfia – e a sensualidade – italiana, encontramos com o alemão sinistro e nos divertimos com as referências à cultura nerd – e tecnológica – japonesa. E em se tratando de tecnologia, é justamente ela que dá a Carros 2 o que ele melhor tem para oferecer: um universo onde automóveis, navios e aviões ganham vida e chegam repletos de engenhocas que deixariam o Batmóvel mordido de inveja, em um visual de encher os olhos (embora não se beneficie em sua versão 3D).
Com um epílogo tão emocionante como seu prólogo, nos deparamos com uma perseguição que, de acordo com 10 entre 10 cartilhas sobre filme de ação norte-americano, é obrigatória. E com toda essa ação, Carros 2 ainda reserva espaço nas tradicionais lições de moral, que aqui tratam de amizade e de ser quem realmente se é sem ter vergonha disso. Quem sabe, futuramente, seja realizado um longa especialmente para o caipira Mate? Podemos esperar de tudo com relação à Pixar. E devemos agradecer muito a isso.
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CARROS 2 (Cars 2, EUA, 2011) Direção: John Lesseter, Brad Lewis Roteiro: John Lesseter, Brad Lewis, Dan Fogelman Elenco: (vozes) Owen Wilson, Michael Caine, Joe Mantegna, Bonnie Hunt Duração: 106 min Distribuição: Walt Disney Pictures
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Tags: Crítica, Globo de Ouro 2012





pelo menos uma critica parece ter entendido o filme, acho que o fato da critica não é gostar ou não gostar, como ando lendo por ai, particularmente amei, pois amo james bond, o mate realmente estava chato, mas ele tinha que ser chato, agora, acho que a grande profundidade do roteiro estava nos fatos dos viloes, russos e americanos, carros fabricados nos 70, trabalharem juntos, o nome do combustivel, (falso combustivel organico) o vilão ser uma range rover, e outros elementos politicos envolvidos em uma trama complexa que foi falsamente interpretada pela critica em geral como sendo uma versão motorizada de austin powers, acho que eles esqueceram o aston martin usado por sean conery em goldfinger
Exatamente, Bruno! A jogada do filme é justamente essa: usar dos estereótipos que os EUA abusaram durante anos em seus filmes live-action – e que foram tão criticados – e transportaram para as telas desta animação.
Obrigado pela visita e volte sempre.
Suzanne disse:Parabe9ns pelos seus posts!Bom, a Pixar realmente e9 uma fe1brica de snoohs se3o filmes que realmente mostram os valores essenciais para a existeancia humana. Se3o histf3rias que devem ser mostradas ate9 aos nossos netos!
Adorei o primeiro Carros, esse é apenas mediano, na minha opinião. O orçamento foi cortado e a qualidade também. A física dos carros caiu bastante, a renderização, sombras, texturas, efeitos e outros mais ficou muito aquém do primeiro filme. A história tem um final improvável, mas é bem chatinha. A piadas são fracas, a parte cômica também. Mas realmente o que mais me chamou a atenção foi a parte visual. Muito pobre, em relação ao anterior. Os carros parecem realmente animações. As animações, principalmente as corridas têm certas movimentações que beiram o ridículo. Quase quadro a quadro. Em certos momentos pareceu que não era Carros e sim a droga atômica chamada Carrinhos. A trilha é muito fraca também. Me pareceu que o filme foi castrado. Esperar o que depois que a Disney comprou a Pixar? Nada… Só corte, corte e mais corte de orçamento. A Pixar sempre levou a parte visual muito a sério, agora parece que a coisa não será mais a mesma. É uma pena. Creio que se a Disney tivesse comprado a Pixar a mais tempo, Ratatoille teria sido uma droga, pois além do ótimo roteiro, a parte visual foi muito bem executada.