Crítica: Assalto em Dose Dupla
Para se divertir um pouco com Assalto em Dose Dupla deixe a verossimilhança de lado. Embora não entre de cabeça no nonsense, o filme passa raspando em alguns momentos. Uma equipe de três assaltantes, treinados e com equipamento de ponta, invade uma agência bancária para roubar o cofre. Ao mesmo tempo, uma dupla de ladrões bem menos sofisticados entra para explodir os caixas eletrônicos. Depois de grosso tiroteio, os assaltantes são convencidos por um dos reféns a roubarem o banco juntos, sem atrapalharem o trabalho um do outro.
O refém que dá a sugestão chama-se Tripp (Patrick Dempsey), um sujeito com um distúrbio de atenção que o faz notar, memorizar e analisar cada detalhe que vê. Essa obsessão piora por ele estar sem seus remédios. Isso o faz agir como um Sherlock Holmes, que passa a desconfiar que uma série de coincidências desse assalto inusitado não sejam apenas obras do acaso.
A comédia é o principal elemento do filme, mas com o desenrolar da ação a trama se encaminha para desvendar um plano mirabolante muito maior. Enquanto fica apenas na comédia, durante o primeiro terço da narrativa, as coisas saem bem. Algumas piadas boas, situações engraçadas de tão absurdas e dois caipiras bastante atrapalhados com um grupo de reféns esquisito. Funciona. Quando a trama se embaraça por mistérios de uma coincidência articulada, Assalto em Dose Dupla já não funciona tão bem.
Situações e circunstâncias, de tão improváveis, desconectam o espectador do enredo. Para piorar, a rocambolesca trama por trás dos assaltos e de uma série de mortes durante o roubo resultam numa explicação confusa demais. Não é apenas difícil de acreditar, é difícil de engolir.
ASSALTO EM DOSE DUPLA (Flypaper, Alemanha/EUA, 2011). Direção: Rob Minkoff. Elenco: Patrick Dempsey, Ashley Judd, Pruitt Taylor Vince. Duração: 87 min. Distribuição: California Filmes




