Crítica: A Pele que Habito
FESTIVAL DO RIO 2011
Por Leonardo Freitas
Esperar um novo longa do diretor espanhol Pedro Almodóvar é sempre uma experiência curiosa. Nunca sabemos, de fato, o que esperar. Para quem conhece a trajetória de sua filmografia, observamos como o passar dos anos amadureceu o cineasta.
Do debute em curtas nos anos 70, Almodóvar abraçou o escracho kitsch e transgressor de suas películas dos anos 80 como Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, Maus Hábitos e Labirinto de Paixões, levou-se nas comédias dramáticas em meados dos anos 90 com Ata-me e Kika e, em 1995, vimos uma grande mudança em sua filmografia, com o sensível A Flor do Meu Segredo que, a meu ver, é o grande divisor de águas de seu estilo.
No final-começo do milênio, Almodóvar nos deu alguns de seus filmes mais bem acabados, tanto em questão de roteiro, direção, fotografia e atuações. A trinca de ouro Fale com Ela, Tudo Sobre Minha Mãe e Carne Trêmula foi, definitivamente, o estopim de sua carreira, trazendo filmes seguintes bons como Má Educação, Volver e Abraços Partidos mas que, ainda assim, não chegaram a ofuscar o brilho de filmes anteriores.
Com A Pele que Habito, seu trabalho mais recente, o diretor traz de volta seu ator fetiche de filmes dos anos 80 e 90, Antonio Banderas, e substitui sua musa Penélope Cruz, de filmes mais recentes, por Elena Anaya, que já havia trabalhado com Almodóvar em Fale com Ela.
Robert Legard (Banderas) é um cirurgião plástico renomado que, após um acidente com a esposa Gal, se embrenha em uma fixação descomunal em criar um tipo de pele humana mais resistente a danos. Mantendo como prisioneira a misteriosa Vera (Anaya), os dois têm uma relação ambígua de desejo, ódio e adoração, que é observada sem bons olhos por Marília (Marisa Paredes), espécie de governanta de Robert, que vê em Vera um retrato fiel da esposa morta.
Com um prólogo instigante e recheado de mistérios, Almodóvar vai revelando em conta-gotas os segredos que permeiam Robert e Vera, criador e criatura, em uma espécie de doutor Frankenstein moderno. Tudo passa a fazer sentido quando, em formato de flashback, acompanhamos os acontecimentos de seis anos antes, quando a filha do médico, Norma (Blanca Suárez), sofre uma traumática experiência envolvendo o jovem Vicente (Jan Cornet). Pronto, qualquer dado a mais fornecido pode estragar a surpresa de quem assiste A Pele que Habito.
Muitos dos elementos almodovarianos estão ali: as cores vivas na fotografia, a trilha intimista, os planos de câmera inteligentes e inconfundíveis, o humor negro (que, neste caso, está mais discreto), a ironia dos diálogos e, principalmente, a trama cheia de reviravoltas e segredos escondidos pelo tempo que vêm à tona. Porém, nestas teias que Almodóvar ama criar – e, magicamente, nos fez acreditar em alguns de seus filmes anteriores, por mais absurdas que possam parecer – A Pele que Habito deixa a desejar.
Com um humor que não engata (sempre prezei Almodóvar por ir do drama o humor em segundos sem ofender o público) e muitas questões abordadas – bioética, psicanálise, desejos reprimidos, traumas – onde nenhuma delas é aprofundada, sentimos que o filme fica à margem de uma história completa. Porém, ainda vale o ingresso. Afinal, como sempre digo: Almodóvar é que nem pizza; mesmo quando é ruim, é bom.
A PELE QUE HABITO (La Piel Que Habito, Espanha, 2011) Direção: Pedro Almodóvar Roteiro: Pedro Almodóvar Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet Duração: 117 min Distribuição: Paris Filmes
LEIA OUTRAS CRÍTICAS DO FESTIVAL DO RIO 2011 AQUI: http://www.cinemaorama.com/tag/festival-do-rio-2011/
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Tags: Crítica, Festivais e Mostras, Festival do Rio 2011, Globo de Ouro 2012





Parece que Almodóvar mantém o clima que o caracterizou neste filme, ao mesmo tempo que aparenta ser uma trama diferente do que ele já contou, acho. Quero muito ver.
As tramas do Almodóvar sempre me impressionam. Ele faz com que acreditemos em qualquer universo que ele crie, por mais absurdo que possam parecer. Espero que goste! E obrigado pela visita
Estou LOUCA para assistir o novo filme do Almodóvar, apesar de preferir os filmes mais antigos dele, não gostei muito de Abraços partidos, esperava mais daquele filme.
Espero que A pele que habito seja bem diferente de Abraços partidos, e pela sua resenha, deve ser, pois você disse que; "diretor traz de volta seu ator fetiche de filmes dos anos 80 e 90".
Confesso que estou ansiosa para ver o que Almodóvar aprontou dessa vez
Estou LOUCA para assistir o novo filme do Almodóvar, apesar de preferir os filmes mais antigos dele, não gostei muito de Abraços partidos, esperava mais daquele filme.
Espero que A pele que habito seja bem diferente de Abraços partidos, e pela sua resenha, deve ser, pois você disse que; "diretor traz de volta seu ator fetiche de filmes dos anos 80 e 90".
Confesso que estou ansiosa para ver o que Almodóvar aprontou dessa vez
+1
Num 2011 cheio de bons filmes, A Pele Que Habito periga ser o melhor do ano: http://espinafrando.com/2011/11/espinafrando-a-es...
Ei, estão plagiando esse texto.
Vejam o texto assinado por Vanderlei França :
http://www.naoentendemascomenta.com/2011/11/pele-...
Não é verdade que o texto lá no Não Entende Mas Comenta foi plagiado. Confiram. Os textos são diferentes. Claro que a opinião sobr eo filme é igual, mas até aí…
Infelizmente uma acusação desta é publicada sem qualquer filtro.
Não é verdade que seja plágio. Eu li o texto lá e achei diferente. Uma visão semelhante, mas até aí…
Queridos, era plágio sim! Trocar intrigante por instigante e outras trocas por sinonimo nao descaracteriza plágio. Comparem o quinto parágrafo deste original, com o sétimo e oitavo do outro. Se não mudaram, tá ali a confirmação.
Parabéns para vocês que estão servindo de inspiração.
Hahaha esse Marcos deve ser alter-ego desse danilo. A mensagem deles é muito parecida, "mas até aí…"
Na minha opiniao eh o melhor dele! Imperdivel! Perturbador!
Enfim, entrou em cartaz na minha cidade, pude assistí-lo e particularmente achei surpreendente.
Quando você acha que Almodóvar já tinha rompido todos os limites, ele demonstra que tem muito mais a fazer e que a criatividade continua.
O que achei mais interessante é a forma com que Almodóvar aborda temas considerados tão pesados e consegue transformar isso em algo leve.
Sou fã dos filmes deles, mas esse último surpreendeu totalmente. Bandeiras foi ótimo na atuação, e Elena Anaya foi boa também, apesar que toda vez que ela aparecia me lembrava da Penelope Cruz, a semelhança das duas é grande, não como atoras, e sim fisicamente falando.
Enfim, acho que está explícito que adorei esse filme, apesar de ser um pouco pertubador, achei fantástico.
Muy interesante