Crítica: Os Residentes

22 de outubro por Pedro Tavares | Nenhum comentário

III SEMANA DOS REALIZADORES

A emblemática cena final de Os Residentes de Tiago Mata Machado deixa explícito: trata-se de um longa em intensa desconstrução. Tiago desafia seu público. Passa por cima das sequências; gentilmente pede para que nos esqueçamos das elipses. Inspire e crie sua capacidade de compreensão de arte e mercado. O que se vê é o que se sente? A conclusão é sua.

Os Residentes são ativistas, guerrilheiros. Temos esta noção no meio do filme, quando transparece seu único fio narrativo. Nele há uma relação ambígua com a liberdade e ética, rendendo a cena chave do filme, uma longuíssima e banal (e proposital) discussão de relacionamento.

“Experimente!”, grita um deles. Mesmo agarrado às comparações ao diretor Jean-Luc Godard por sua esfera livre às interpretações e a justaposição narrativa que rendeu comparações por toda crítica após as exibições Mostra de Cinema de Tiradentes (da qual saiu vencedor da Mostra Aurora), Os Residentes é sim um filme que inspira um caminho próprio e que duvida dele mesmo. Da compreensão, de seus tropeços e da realidade transposta, como a passeata falida – outro pilar do filme – representa. Basta saber se tudo isso é a síntese de uma postura pró-revolução artística ou puro exercício.


OS RESIDENTES (Idem, Brasil, 2011) Direção: Tiago Mata Machado Roteiro: Tiago Mata Machado, Cinthia Marcelle, Emílio Maciel Elenco: Melissa Dullius, Gustavo Jahn, Jeane Doucas, Simone Sales Duração: 130 min Distribuição: Vitrine Filmes

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