Crítica: Drive
Drive revitaliza o cinema de ação oitentista utilizando as mesmas abordagens e motivações para seu anti-herói, vivido por Ryan Gosling. Trata-se de um exercício estilístico do dinamarquês Nicolas Winding Refn que se desassocia da dureza da trilogia Pusher e de Bleeder para realizar um filme tipicamente americano, ainda que siga a cartilha (na ordem: plástica, antli-clima, texto) de seu último filme, o brilhante O Guerreiro Silencioso.
A congruência da brutalidade que o gênero pede ao multifoco narrativo está na posição adotada pela câmera de Refn – sempre coadjuvante e tangente ao espetáculo visual – que constrói uma constante (tensão + plástica) que é quebrada pela relação do protagonista aos seus conflitos internos, mas que é retomada com a trilha sonora condensada ou a exposição destes conflitos pelo choque da conversão deste em um homem frio.
Composto por diversas referências (Taxi Driver é a maior delas), Drive faz oposição a complexidades, mas dá importância aos detalhes que são dissolvidos pela excelência de seu diretor, que transforma em harmonia o encontro da aura angustiante à estética moderna. Justifica o prêmio de melhor diretor no último Festival de Cannes.
DRIVE (Idem, EUA, 2011) Direção: Nicolas Winding RefnRoteiro: Hossein Amini Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Ron Perlman, Óscar Isaac Duração: 95 min




