Crítica: Dark Horse

19 de outubro por Pedro Tavares | Nenhum comentário

Transgressor na análise da sociedade americana, Todd Solondz parece entrar em crise. Se a clara falta de criatividade motivou o encontro dos personagens de Felicidade anos mais tarde em A Vida Durante a Guerra, Dark Horse parece uma releitura sem inspiração de suas obras.

Utilizando a derrota como filão narrativo que permeou seus personagens por duas décadas, Solondz analisa sua matéria-prima desta vez. Dark Horse (termo dado aos cavalos azarões em corridas) usa o colecionador de bonecos Abe (Jordan Gelber) como representação dos sentidos que a derrota domina na vida de uma pessoa: negação, fantasia, teimosia e aceitação. Apaixonado pela aspirante a escritora e vítima da depressão Miranda, Abe orquestra seu futuro conforme a utopia do novo mundo – viver na casa dos pais, esperar a mudança ou a morte deles e continuar a escada do nepotismo na empresa do pai.

Os macetes de Solondz continuam intactos – o humor negro desconcertante, as alusões à pobreza de espírito e o pessimismo americano – e seguem uma fórmula desgastada com o tempo. Dark Horse, apesar de ser mais implícito, mostra o diretor batendo na mesma tecla de sempre e com a metodologia de sempre. Talvez Solondz saiba disso, se levar a sério a sequência final de seu filme.


DARK HORSE (Idem, EUA, 2011) Direção: Todd Solondz Roteiro: Todd Solondz Elenco: Jordan Gelber, Mia Farrow, Christopher Walken, Selma Blair Duração: 84 min

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