Crítica: Corpo Presente
Uma noite sem dormir. Um dia ruim. O trabalho que não te completa. A ríspida sensação de existência. Um sintoma dominante na rotina das grandes cidades. Corpo Presente é um filme sufocante, como a longa espera para o fim do dia, o fim da semana, o desatar do nó da gravata – o encontro do coletivo com o indivíduo.
O longa dirigido por Marcelo Toledo e Paolo Gregori se sustenta à criação de uma segunda vida, a literal busca pela realização do sonho. Dividido em três segmentos (Alberto, um agente funerário, viciado e fugitivo de agiotas; Cynthia, manicure e garota de programa que sonha em ser dançarina e Beatriz, peoa que deseja viver de um estilo alternativo, fora do comum “8 às 17”), cada um deles tem uma forma diferente de fuga do real e claro, de morte. Afinal, é necessário que o real volte a dominar – representada por uma tradicional tempestade de fim do dia na capital paulista.
E Toledo e Gregori sabem como transportar a sensação de pequeneza que os personagens assumem para si; a megalópole os engole, como as obrigações e a vontade de viver no que é paralelo. A tela envolve Alberto, a maquiagem protege Cynthia, a chuva afasta Beatriz. A pungente duplicidade que rege o “horário comercial”.
CORPO PRESENTE (Idem, Brasil, 2o1o) Direção: Marcelo Toledo, Paolo Gregori Roteiro: Daniel Chaia, Rossana Foglia, Marcelo Toledo, Paolo Gregori Elenco: Raissa Gregori, Simone Iliescu, Marat Descartes, Paulo Tiefenthaller Duração: 75 min





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