Crítica: Aqui É Meu Lugar
O maior êxito de Paolo Sorrentino em Aqui É Meu Lugar é manobrar com todas as constantes que trabalha. Afinal, as diversas pontas de tema inseridas no roteiro necessariamente não se encaixam. O filme, portanto, torna-se ao lado da busca de vingança de Cheyenne (Sean Penn), uma particular busca pela regularidade narrativa entre a diversidade temática e técnica.
Da uma comédia dramática sobre a rotina de um rock star preso ao conformismo para a transformação em road movie no último ato, Aqui É Meu Lugar destroça os efeitos do holocausto – gancho para a desconstrução dos traumas de todos os personagens (que de uma forma ou de outra são vítimas da dormência emocional) do filme e espelho para o remorso italiano e a redenção de um homem com planos sequência, dollys e gruas.
A regularidade está justamente no peso que Sean Penn coloca em seus ombros; seu personagem é tão destoante que a infantilidade tem o algoz da maturidade. Para os que cruzam por Cheyenne, lá está a oportunidade de soma, esta que é inesperada a primeira vista. Afinal, o que um homem fadado ao fracasso e explicitamente preso a um trauma de infância pode oferecer?
Da letargia inicial a sequência fulminante que resume o sentimento de um homem que reconhece o fim de seu caminho (em diversos sentidos), Sorrentino tropeça, mas consegue, enfim, um modo de ser orgânico entre tantas linhas: desbravar o homem por trás da maquiagem.
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AQUI É MEU LUGAR (This Must Be The Place, Itália/França/Irlanda, 2011) Direção: Paolo Sorrentino Roteiro: Umberto Contarello, Paolo Sorrentino Elenco: Sean Penn, Frances McDormand, Judd Hirsch, Liron Levo Duração: 118 min
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Tags: Crítica, Festival do Rio 2011





Eu estou realmente curioso quanto a atuação de Penn nesse filme.
Vale a espera.