Subtende-se Algo?: A Função do Cinema por André Bazin – Última Parte

19 de setembro por Pedro Tavares | 1 comentário

A FUNÇÃO DO CINEMA POR ANDRÉ BAZIN – ÚLTIMA PARTE

Por Márcia Freddy

Seguindo a linha de raciocínio apresentada no tópico anterior sobre “O que é cinema?” e para um melhor entendimento sobre o assunto em questão, é importante ressaltarmos a concepção de que durante o período do cinema clássico, as próprias pessoas podiam ir ao cinema, pois qualquer filme em específico que os próprios pudessem ver, seria menos importante que o próprio restabelecimento do “ritual cultural e estético” do cinema.

Todo o filme era um exemplo, bom ou mau, da linguagem padrão em funcionamento. Bazin, é claro, poderia muito bem ter dito o mesmo com relação à nossa atitude para com a televisão. Ou seja, ligamos ela, não somente para ver um programa em específico, mas para ver uma série, ou, mais frequentemente, apenas para ver TV. A homogeneidade da linguagem atual da TV garante que nos sentimos bem com as histórias e com as próprias imagens retratadas nela (TV) do que no cinema.

Bazin estava convencido de que essa linguagem ditatorial, mais até do que a “convenção social”, determinava que os diversos tipos de temas presentes no cinema clássico, foram desenvolvidos através de gêneros que as quais podiam facilmente responder e mostrar a verdadeira “maquinaria” do cinema. Bazin deduziu também que entre as principais obras de literatura e as quais foram cortadas, assim como diversas outras, somente para alimentar Hollywood e assim diversos outros lugares. Inclusive a própria televisão. O cinema clássico, específicamente, reuniu sua posição através de uma aparência que para o teórico, despersonaliza todo e qualquer filme que retrata-se os diversos temas, porém, da mesma maneira.

Infelizmente no período que em Bazin falecera, os próprios espectadores começaram a seguir um estilo espontâneo e estranho assim como Truffaut e Rosselini fizeram, no instante em que começaram a explorar e expressar os mais diversos aspectos do mundo disponíveis antes mesmo no próprio cinema. Podemos sim, experimentar, através deles (filmes) uma visão mais intimista e até real daquilo que jamais estivera disponível na “idade clássica do cinema”.
Bazin via isso como um ganho e tanto para a sensibilidade humana quanto para a formação da arte.

Ele estava excitado com as inúmeras perspectivas da evolução assim como na formação artística. O teório esperava que suas teórias participassem dessa evolução, levando o cinema em direção a um futuro totalmente racional e eminente. Para Bazin, o cinema, assim como o homem, reconhece sua infinita qualidade e se esforça para se superar dia após dia.
Na época de sua morte, em 1958, não existiu ninguém que efetivamente pudesse desafiar suas teórias. Até hoje, inclusive, isso se perdura. Anos mais tarde depois dessa grande perda, suas teórias teve diversos destinos, alguns de forma bastante triunfantes outras nem tanto. Seja qual tenha sido o rumo que suas teórias tenham tomado uma coisa não podemos negar; Bazin era um “humanista” e suas teorias “idealistas”.

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