Em DVD: A Casa

13 de setembro por Pedro Tavares | 13 comentários

Integrante da seleção do 63º Festival de Cannes, A Casa subverte convenções do suspense e abraça a crueza estética para entronizar o elemento adormecido pela contemporaneidade para o gênero: o som. Filmado com uma máquina fotográfica em apenas um plano-sequência, o longa do uruguaio Gustavo Hernández aproveita tal abordagem para criar uma linguagem ambígua.

A esfera de tensão que cobre o filme vem do silêncio. E nele, Hernández lentamente conta a sua história. O que aparenta ser mais um filme-tormento sobre espíritos em uma casa mal assombrada aos poucos se torna uma análise brutal sobre a resposta instintiva e suntuosa a um comportamento calcado na covardia.

No som justificado em cena – o rádio, o ranger das portas, os objetos movendo -, está a morada do medo. Tal método fora coroado anteriormente por Hitchcock e eternamente lembrado em O Iluminado de Stanley Kubrick. Com poucos diálogos, A Casa se torna uma experiência exclusivamente sensorial com pouquíssimas inserções de elementos extra tela.

A flexibilidade criada pelo som permite à Hernández ilustrar um cenário sinistro que logo é saturado e leva o filme a brigar pela atenção do espectador por toda sua duração. À favor, o longa tem o visual inspirado pelo expressionismo alemão, predominantemente em preto e branco, mas não é o suficiente para resgatar o ânimo criado nos seus vinte primeiros minutos. A Casa mostra-se como um belo planejamento que deve quanto ao desenvolvimento.

A CASA (La Casa Muda, Uruguai, 2010) Direção: Gustavo Hernández Roteiro: Gustavo Hernández, Gustavo Rojo, Oscar Estévez Elenco: Florencia Colucci, Gustavo Alonso, Abel Tripaldi, María Salazar Duração: 78 min Distribuição: PlayArte

Posts relacionados:

O Roqueiro
Crepúsculo
Predadores

Tags:

13 comments

  1. surpreendente no quesito estético e técnico, mas absolutamente vazio e aborrecido quando analisada a narrativa. O início é mesmo bem promissor – a imagem de abertura é belíssima, lembra Lars von Trier em seus dias atuais de 'culto à paisagem' -, mas depois é ladeira abaixo.

    abs!

    • cinemaorama

      Qual imagem você diz, Elton? Aquela que a casa é coberta de verde assim que pai e filha chegam?

  2. eltontelles

    sim sim, quando eles estão chegando pelo matagal e avistam a casa de longe, tem um por-do-sol bacana e eles começam a analisá-la… o filme evoca um clima super bacana, atmosfera de medo até mesmo dentro da casa, ainda que canse. O que me deixou realmente decepcionado – muito mesmo! – foi a reviravolta implausível e incoerente do final.

    • cinemaorama

      Concordo contigo. O filme cansa surpreendentemente numa proposta bem legal, que é o terror psicológico – pelo menos ele é exercido por boa parte do filme.

  3. nervouspeople

    Quero muito ver!

  4. E como é costume, uma refilmagem americana está pronta, sendo protagonizada pela irmã das gêmeas Olsen, Elizabeth.

  5. isse negocio de "filmado em um take" é mentira.como pode ser rodado em dois dias e o filme ter apenas um 70 min(por ai).o filme começa num crepuscullo e acaba no dia seguinte!!!!(?)
    esse filme estorou(literalmente)minha hemorroida que se asfixou no meio do filme,quase morri.

  6. Otimo post e excelente informações e qualidade do blog. Vou adicionar nos meus favoritos para visitar mais vezes. obrigado por compartilhar.

  7. Todo conteúdo que leio aprendo um pouco sobre como ter negocio em casa, hoje tenho construído meu blog somente com informações ricas assim. muito 10.

  8. excelente artigo, se aprende muitas coisas com conteúdos assim. valeu

Leave a comment


Copyright © 2011 Cinema O Rama

Tema desenvolvido por João Ximenes - Powered by Wordpress

Assine o RSS