Crítica: Trabalhar Cansa

29 de setembro por Pedro Tavares | Nenhum comentário

Filme da seleção da mostra Um Certo Olhar do último Festival de Cannes, Trabalhar Cansa é um filme que indubitavelmente reforça a idéia que a rotina pode ser um grande monstro através da aura fantástica.

Referente ao cinema oriental, sobretudo à filmografia de Kiyoshi Kurosawa, o longa de Juliana Rojas e Marco Dutra abusa das características do cinema nipônico contemporâneo: representações enigmáticas em personagens secundários, a amplificação do caos cotidiano através da técnica – planos, profundidade de campo e a proposital “sujeira” que remete à realidade através do som ambiente.

Nesta idéia, Rojas e Dutra criam uma nova abordagem para o drama do desemprego. Quem demite sabe o que é ser demitido e ficar meses sem trabalho. Dinâmicas em grupo e palestras são tão assustadoras quanto cães raivosos – uma relação ambígua com a felicidade e a sensação de satisfação.

Permeado por mistérios abstratos totalmente cabíveis ao real – tanto que são ignorados pelos personagens e garantem bons momentos de desconstrução de persona -, o longa equivale causa e consequência através de índoles distintas. E não peça que o filme tenha senso de justiça, afinal, a vida não é nada justa.


TRABALHAR CANSA (Idem, Brasil, 2011) Direção: Juliana Rojas, Marco Dutra Roteiro: Juliana Rojas, Marco Dutra Elenco: Helena Albergaria, Marat Descartes, Naloana Lima, Marina Flores Duração: 99 min Distribuição: Polifilmes

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