Crítica: Os Monstros
Destrinchar e desconstruir conflitos do ato de se fazer o que gosta e celebrar a amizade. Novamente, os irmãos Pretti e os primos Parente constituem um fio narrativo para abordar o cinema como condutor subjetivo de sua história.
Em Os Monstros, o sofrimento do músico abandonado João (um dos Pretti, ressoando a fórmula de Estrada Para Ythaca, que tinha os diretores como protagonistas, produtores e roteiristas) busca refúgio na amizade de dois técnicos de som de uma produção cinematográfica de um diretor egocêntrico – genialmente representado pelo áudio que vem dos fones dos rapazes, que logo abandonam a atividade para ajudar João.
Neste momento, os diretores colocam o cinema como objeto de estudo. Sugerem a visceralidade e a verdade acima de qualquer astúcia comercial em longas sequências que desembocam em tiradas corajosas e debochadas, utilizando canções como “Se” de Djavan e “Veneno” de Marina Lima, alusivas à reação de espanto do público e a prova que a comodidade vence o risco para muitos – incluem-se os diretores que pagam o preço de perder a liberdade e o amor pelo o que se faz.
Liberdade esta que é tocada com certa frequência no longa; a lírica permite que a morte – representação do fim e ao mesmo tempo de um recomeço – faça um amigo chegar após uma melancólica noite portando uma guitarra em um barquinho para a sequência mais intensa de Os Monstros: o desafio direto ao público – levantando o sentido da relação com a arte – o físico. Existem diversas abordagens, mas uma saída expressiva, que sobrevive ao tempo, assim como uma boa amizade.
OS MONSTROS (Idem, Brasil, 2011) Direção: Guto Parente, Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Pedro Diógenes Roteiro: Guto Parente, Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Pedro Diógenes Elenco: Guto Parente, Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Pedro Diógenes Duração: 81 min Distribuição: Vitrine Filmes
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Tags: Cinema Nacional, Crítica





Esse filme chegou por aqui e não dava nada por ele – ainda bem que encontrei sua crítica.
Vale muito conferir no cinema, Wally! Abraço