Crítica: Juventude Perdida

04 de setembro por Pedro Tavares | Nenhum comentário

INDIE – MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL

Um país em crise. Uma sociedade em colapso. Juventude Perdida analisa o contexto político atual da Grécia através de um dia na vida de um garoto de dezesseis anos e de um policial passivo à realidade. A representação da perda da juventude está em dois extremos opostos: o primeiro, skatista e slacker com problemas familiares que desconta suas frustrações na bebida e na falsa idéia de transgressora que a droga traz. O segundo, rendido ao emprego estressante e a família, visivelmente em cacos, se vê próximo ao desmoronamento emocional. É o fim da inocência por completo.

Argyris Papadimitropoulos e Jan Vogel se importam mais em desenvolver o lado ilustrativo da coisa – abusam de plongées, dollys, câmeras overshoulder. Como narrativa, Juventude Perdida tem pilares fragilizados por ser um exercício contemplativo redundante, sustentado apenas pela força que seus protagonistas dão ao cotidiano, traduzindo a crise financeira e consequentemente existencial que assola o país.

Entre andanças de skate e obrigações profissionais, os dois vivem silenciosamente a obrigação de ser alguém – que tem como contrapeso a escassez de oportunidades, pais distantes e a eminente solidão, amplificada pela bebida, desistências e a revolta, representada pela sequência final do filme, quando os dois personagens finalmente se encontram.

 

JUVENTUDE PERDIDA (Wasted Youth, Grécia, 2011) Direção: Argyris Papadimitropoulos e Jan Vogel Roteiro: Argyris Papadimitropoulos e Jan Vogel Elenco: Haris Markou, Ieronymos Kaletsanos, Jason Wastor, Maria Kyrozi Duração: 97 min

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