Crítica: Incêndios
Em pauta, a guerra sem fim entre cristãos e muçulmanos. Esqueça qualquer inserção temática tendencionalista ou a utilização do mesmo para elevar impactos melodramáticos. Incêndios é visceral e aposta na crueza ao cruzar décadas deste conflito, fragmentando a narrativa baseada na peça de Wajdi Mouawad e criando uma dinâmica muito interessante com o público quando expõe a história de irmãos à procura da verdade sobre a formação e desfragmentação de sua família.
Em pequenos capítulos, que servem mais como dicas para o espectador montar o quebra-cabeça sugerido por Dennis Villeneuve, a história/martírio se dissolve em cortes secos e na ausência de elementos extra tela. O caos emocional que espelha interesses políticos e religiosos não é confundido pelo diretor, que outrora fez o fraquíssimo Polytechnique.
Incêndios é um daqueles filmes gostosos de acompanhar não só pela composição dramática do texto e da excelência exercida nas atuações, mas pela fragmentação – nada pretensiosa, vale dizer, que ressalta a potência da resolução de cada ato e resgata um costume perdido há um bom tempo no cinema: o de dialogar com o público e saber a potência ilusionista que a arte tem.
INCÊNDIOS (Incendies, Canadá/França, 2010) Direção: Denis Villeneuve Roteiro: Denis Villeneuve Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette, Rémy Girard Duração: 130 min Distribuição: Imovision





Na escolha do melhor filme do ano até o momento, estou entre “Melancolia” e essa maravilha rodada por Denis Villeneuve – hey, “Polytechnique” é bom, vou ler sua crítica. O texto de “Incêndios” é o mais poderoso ao tratar sobre os conflitos do Oriente Médio e fui pego de surpresa pelo ato final da narrativa. Espero que os cinéfilos descubram “Incêndios” com seu lançamento em DVD.
Alex, por aqui os cinéfilos descubriram o filme nas salas de cinema mesmo. Ele ainda está em exibição, mesmo após 7 meses de seu lançamento.