Crítica: Elvis & Madona
Pedro Almodóvar diz que o cinema é a representação em todos os sentidos da palavra. Para o diretor espanhol, a graça é incentivar o ator ser o contrário do que ele realmente é em seu trabalho. A distância de algo que ele é, afinal, todos nós temos um pouco de tudo. Apoiado neste raciocínio vejo o grande trunfo de Elvis & Madona: Igor Cotrim, que vive Madona.
Boa parte das inserções cômicas do longa são de duplo sentido ou tem pleonasmos cansativos, até novelescos. Mas o diretor Marcelo Laffitte tem jogo de cintura necessário para sustentá-las com tiradas inesperadas, brincando com a proposta do filme, que é assumidamente proto-trash. Ainda usando Almodóvar como referência textual, Elvis & Madona divide dos mesmos macetes que filmes como Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão ou Que Eu Fiz Para Merecer Isto? com saídas anárquicas e impetuosas, valorizadas pelos papéis de Simone Spoladore (Elvis) e Cotrim.
Laffite debocha das atuações de seus coadjuvantes – sempre exagerados -, dos protagonistas e do cotidiano de um bairro caótico como Copacabana. O contrapeso está na história de amor, que por mais tendenciosa e subversiva que seja, acaba num lugar comum do cinema comercial.
ELVIS & MADONA (Idem, Brasil, 2010) Direção: Marcelo Laffite Roteiro: Marcelo Laffite Elenco: Igor Cotrim, Simone Spoladore, Maitê Proença, José Wilker Duração: 105 min Distribuição: Pipa Filmes
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