Crítica: Amor Debaixo D’Água

30 de setembro por Pedro Tavares | Nenhum comentário

FESTIVAL DO RIO 2011

INDIE – MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL

O peculiar humor japonês chegou ao seu ápice de qualidade. E nada como um filme como Amor Debaixo D’Água como tal representação. Reunindo o pinku eiga – semelhante ao soft porn, gênero que é especialidade do diretor Shinji Imaoka – a um musical grotesco, de letras em sua maioria sobre insatisfações e raiva, quando não cantam sobre fome e suco gástrico, o longa é propositadamente confrontador à moral de seu público.

Imaoka narra a história de amor não correspondido interrompido pela morte de Aoki, até então, um garoto de 17 anos. Anos mais tarde, ele ressurge na forma de kappa – uma espécie de homem-tartaruga. Para Asuka, a menina amada por Aoki, seu ressurgimento coloca na balança a felicidade de sua relação atual e a leva para caminhos rendem sequências surreais, sempre pontuadas por números musicais que logicamente não significam nada, há não ser a inconseqüência.

Amor Debaixo D’Água tem ritmo, foge da tradicional sequência de gags em filmes deste feitio amarrando muito bem a trama e inserindo musicais em momentos inoportunos e inesperados. Totalmente sem escrúpulos, Imaoka não se intimida ao criar novos personagens quando precisa para levar sua história a um nível de bizarrice ainda maior. Peca apenas quando por poucos minutos tenta ser poético, nos últimos minutos de filme, quando desemboca num encerramento digno para um filme tão divertido.


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AMOR DEBAIXO D’ÁGUA (Onna no kappa, Japão/Alemanha, 2011) Direção: Shinji Imaoka Roteiro: Shinji Imaoka, Fumio Moriya Elenco: Sawa Masaki, Yoshiro Umezawa, Mutsuo Yoshioka, Emi Nishimura Duração: 87 min

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