Subtende-se Algo?: Função do Cinema: André Bazin – Parte 01

02 de agosto por Pedro Tavares | Nenhum comentário

A Função do Cinema: André Bazin
(Parte 1)

Quais são as crenças fundamentais de Bazin com relação à importância do próprio cinema? Por que ele devotou de tal modo a sua vida, arruinando – consequentemente – a sua saúde em favor do seu serviço? Afirmando que seu amor pelo veículo (cinema) se baseava de fato pelo seu amor profundo pela realidade que o próprio veículo media, também havia se firmado de maneira bastante oposta. O cinema, sempre estivera em primeiro lugar na vida de Bazin, e suas incessantes referências à realidade são, como as referências entre um crítico de arte ao seu pigmento, necessárias à compreensão do veículo, mas não o foco final dessa compreensão.

Há muitas razões para suspeitarmos que Bazin foi, primeiramente e talvez sempre será, um aluno e ardente amante da terra, que achava que poderia oferecer revelações inacreditáveis (Há muitas evidências que apoiam uma outra opinião, sob a qual se afirma que o amor de Bazin pelo cinema era auto suficiente, e a qual ele via como algo valioso (A criação da revista Cahiers du Cinéma é um testemunho desse valor).

Sua defesa em abordar uma concepção “sem estilo” ante de uma realidade que em geral sempre foi distorcida, mas como um modo de criar um “novo tipo de cinema”, ocorria uma incorporação intima daquilo que o cinema sempre fora ser. Ele frequentemente substanciou suas ideias referindo-se a escritos como Hemingway e Dos Passos, que renunciaram uma importante qualidade literária por não capturar a própria realidade.

Bazin queria que o cinema adquirisse novas concepções, novas estéticas, com o propósito de gerar uma superação, pois estava convencido que o “realismo” seria a única alternativa em direção ao progresso artístico.

Acredito que André detinha suas concepções de forma bastante dialética. Seu amor pelo mundo natural, sem dúvida energizou sua concepção para com o cinema. Essa concepção, tornou-se surpreendentemente suficiente, pois Bazin não apreciava o cinema como um instrumento somente para se olhar, mas também como um notável produtor da ciência e porque não? da natureza ( Seu desejo de ver o cinema expandir em diversas outras áreas era alimentado, ao mesmo tempo, por sua preocupação com o futuro do cinema e pela nossa relação com a realidade).

Nesta última preocupação, por exemplo, sua atitude, é bastante parecida com a do teórico alemão Siegfried Kracauer, onde o mesmo apresentava a seguinte afirmação:

“O cinema pode proporcionar uma compreensão comum, não ideológica, da terra, a partir da qual os homens podem começar a forjar novas e duradouras relações sociais.”

As aspirações de Bazin para com a vida do homem superariam em muito as aspirações apresentadas pelo próprio Kracauer.

O cinema, para André, sempre recebeu um status de sexto sentido ou até mesmo um instrumento privilegiado dentro da visão do mundo já delineado. Tornou-se “objeto”, para ele, de estudo, assim como em qualquer processo natural ou humano. O cinema, em sua totalidade, superou e muito esse status apresentando pelo próprio teórico, principalmente no final de sua vida.

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