Subtende-se Algo?: A Função do Cinema por André Bazin – Parte 2

12 de agosto por Pedro Tavares | Nenhum comentário

Por Márcia Freddy

Função do Cinema: André Bazin.

(Parte 02)

Bazin já era fascinado pela hipótese de que o próprio cinema responde às forças do seu próprio crescimento e de sua própria complexibilidade, de uma crença já previamente herdada. Ele achava que esse processo, que está conosco há várias gerações, só poderia ser compreendido se levarmos em conta seu desenvolvimento dentro das forças ambientais. O existencialismo defendido por Bazin, o impediu de tentar procurar ou mesmo formular uma essência a qual o cinema deveria ter. Pretendia também fazer pelo cinema aquilo que Satre fizera pelo homem, ou seja, torná-lo consciente de sua liberdade e de suas possibilidades, libertando-o assim, de suas velhas teorias.

O que é cinema?

Bazin constantemente fazia esta pergunta, sem jamais desejar ou pretender chegar a uma conclusão definitiva. O cinema é o que tem sido e o que pode se tornar; é a história de uma evolução, um processo sempre em crescimento, se transformando e se revelando (…)

Essa atitude explica a orientação histórica das teorias de André. Para entender o cinema, é essencial levar em conta suas origens, e quem sabe, observar as direções de seu crescimento num ambiente em mutação. Bazin via o cinema não somente como um produto de dois pais, e sim, de duas correntes genéticas. De um lado está o realismo e de outro o institucionalismo (O realismo vem da pintura, que desde o Renascimento desejou duplicar o mundo concreto, a qual Bazin mostrara no seu meticuloso ensaio “Ontologia da Imagem”). Da literatura também recebeu um ímpeto em direção ao realismo (Desde o século XVII, a literatura vem caminhando em uma direção mais jornalística que culmina nos vários movimentos do próprio realismo e documentalismo, presentes no final do século XIX). O cinema parece dirigir-se diretamente a essas ondas de impulsos, talvez com o propósito de se libertar tanto da literatura quando da pintura (De todos as personalidades envolvidas no descobrimento da verdadeira concepção cinematográfica, Bazin tinha uma grande preferência por Jules Marey, que curiosamente passou a vida tentando entender o movimento dos pássaros e animais). O cinema era necessário para ele, na perspectiva da relação com o mundo, cuja exigência era a própria invenção. O cinema apareceu através dessa onda somente para satisfazer tal curiosidade.

Muitos dos mais importantes artigos de Bazin traçaram essa luta entre essas tendências. Escreveu sobre a evolução tanto na linguagem quanto na cinemática. Seus pontos de vista são bem sucedidos, assim como as suas conclusões de longo alcance.

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