Sessão Naftalina: O que terá acontecido a Baby Jane?, 1962
Por Natália Alonso
O que terá acontecido a Baby Jane? não é o tipo de filme que é reconhecido por notável qualidade em aspectos cinematográficos, mas sim, aquele que é lembrado pelas memoráveis performances. O ator é parte essencial da película e o que a faz é justamente a harmonia dos elementos. No entanto, alguns desses elementos se destacam mais do que outros, tornando-se o ponto forte da obra. Bette Davis, que interpreta Baby Jane, conduz com maestria o rumo da história e, ao lado de Joan Crawford, imortaliza a personagem.
Jane Hudson (Bette Davis) é uma ex-atriz mirim em decadência que mora com sua irmã Blanche (Joan Crawford) em uma mansão. Jane, em constante negação de sua situação, não aceita que seu sucesso tenha acabado e culpa constantemente a irmã, que vive numa cadeira de rodas devido a um trágico acidente.
O longa gira em torno do mistério entre o comportamento hostil e inconsequente de Jane e seu relacionamento conturbado com a irmã. O enredo aguça a curiosidade do espectador, que aguarda ansioso pelo desfecho e inventa teorias que fundamentem a situação de Jane e Blanche. O roteiro, que parece ter sido feito sob medida para Davis, é ousado, porém pertinente. Quem tem a expectativa de assistir a um ordinário filme de terror acaba por decepcionar-se, nem sangue jorrando, nem possessão demoníaca: trata-se de terror psicológico – e dos bons. Embora pareça contraditório ao que foi dito no início, a obra em si não precisa de perfeição cinematográfica, o que a torna perfeita. É uma história sobre aparências e a tendência dos seres humanos de confiar em pessoas que soam amáveis e de julgarem as que, mesmo que por poucos instantes, demonstrem sinceridade em demasia e fraqueza humana.
A fotografia, a maquiagem, o figurino e a cenografia: um conjunto que vale ser destacado. Estão entrelaçados, unidos linearmente, propositalmente. São detalhes milimétricos e impecáveis, que, intencionalmente, muitas vezes despercebidos.
Joan e Bette, reza a lenda, eram velhas inimigas – e que inimigas! Todas as polêmicas envolvendo seus desentendimentos na vida real só deram mais força à trama.
Além do drama psicológico e do suspense, muitas cenas concernentes às insanidades de Baby Jane são cômicas. É uma relíquia, se Bette Davis era um achado, este era um dos achados de Bette Davis, de uma época em que o conjunto fazia a obra.
Grandes papéis são interpretados com grande entrega, esta que não é tangente apenas ao fingimento, à atuação, um papel é um pouco de si. Mas o que faz um gênio é o fator x, aquele que não pode ser explicado, entendido ou copiado, apenas admirado.
Acuse Baby Jane, torça por Blanche. Surpreenda-se.
O trecho abaixo mostra Jane, em um de seus lapsos, cantando a música que a fez famosa quando criança.
O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE? (Whatever happened to Baby Jane?, USA, 1962) Direção: Robert Aldrich Roteiro: Henry Farrell, Lukas Heller Elenco: Bette Davis, Joan Crawford Duração: 132 min
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Tags: Crítica





Uma analogia a nossa pequena Maisa, hehehehe
é assustador a maneira com que Bette Davis interpreta Baby Jane. Os olhares e sorrisos infatis, numa cara já enrrugada e psicotica.
Engraçado o fato de gostarmos de Baby Jane, mesmo ela sendo uma vila duranto o filme todo. Talvez seja mesmo pela perfeita Bette. Só sei que no fim de tudo, me bateu uma pena imensa. Sensacional a reviravolta que certos filmes dá com as emoções ne?
Abs!
Realmente,
Sem a interpretação de Bette, seria um ordinário filme de suspense. E só.