Crítica: O Poder e a Lei
Brad Furman, logo na primeira sequência de O Poder e a Lei, dispa-se de qualquer peso que venha interferir em seu filme. A visão de Furman é direta, disposta a assumi-la como uma peça do grande mercado cinematográfico americano para adaptar a obra de Michael Connelly para as telas. Mas, como um longa, nestas condições, pode ser eloquente? Através de nuances performáticos e na abordagem do tema que o enquadra em um gênero popular – e assim angariar espectadores.
O âmago da história está sugerido na infeliz escolha do título no Brasil: a ambígua relação de Matt Heller (o oscilante Matthew McConaughey) com o real senso de justiça. Acostumado a salvar a pele de seus clientes – quase sempre culpados -, Matt questiona sua habitual dormência ao pegar o caso de um suposto espancamento de uma prostituta por um herdeiro da família Windsor.
Furman difere seu filme de um pólo segmentado ao equilibrar forças no texto e na estética; privilegia sequências com a câmera na mão ao abordar questões existenciais, contrariando a lógica hollywoodiana. O mesmo acontece com os frequentes planos fechados que ilustram o caos na mente do protagonista, que não se assume pragmático em nenhum momento do filme.
A teia conspiratória que envolve diversos personagens é construída em ritmo de clipe – a trilha pulsante e os cortes frenéticos aliam-se aos diálogos duvidosos para representação da índole de cada coluna do filme. Furman tem discernimento de sua obrigação e mostra como domá-la e, na medida do possível, transformar O Poder e a Lei em um filme funcional.
O PODER E A LEI (The Lincoln Lawyer, EUA, 2011) Direção: Brad Furman Roteiro: John Romano Elenco: Matthew McConaughey, Marisa Tomei, Ryan Phillippe, William H. Macy Duração: 118 min Distribuição: Imagem Filmes





Gostei. Filmes de tribunais têm uma fórmula implacável, difícil de falhar. Também foi uma ótima oportunidade para Matthew McConaughey se desvincular do já esgotado papel de playboy de comédia romântica que ele tanto incorporava (estou ansioso para vê-lo no novo filme do William Friedkin). A única coisa que desaprovo são certas reviravoltas da trama, como aquela que envolve a personagem de Frances Fisher.
Acho que essa reviravolta é essencial pro filme, uma espécie de estalo pro personagem do Matthew.
um ótimo entretenimento. Filme surpreendente msm.