Crítica: Não Me Abandone Jamais

10 de agosto por Pedro Tavares | 11 comentários

Não me abandone Jamais é um paradoxo de 103 minutos. A luta de Mark Romanek (consagrado como diretor de vídeo-clipes) para fugir de convencionalismos vai da temática mambembe que se justifica a gratuidade à falta de senso ao tentar distorcer a visão de um gênero, ao contrário do livro de Kazuo Ishiguro no qual o filme é baseado. Os personagens (clones sustentados até a vida adulta com o propósito de doar órgãos aos seus “originais”) não são iconoclastas – algo que tornaria o filme um estudo da alienação e submissão, apesar de em certos momentos colocar tais assuntos em pauta.

Distorcendo a dimensão do tempo e a relação de personagens, tudo parece se complicar e resolver facilmente. Junto, está a fuga de gêneros, onde a abordagem existencialista cai em clichês de romances (em estética e texto) convencionais por mais que a temática tente impor outra interpretação.

Não me abandone Jamais tem acertos, como a analise e efeitos da arte na alma, do já citado estado de submissão e ao abordar a lobotomia infantil como um alicerce político, mas, por passear por extremos, o resultado é irregular. Sustenta-se pelo ritmo e por gerar expectativas a cada ato, mesmo caindo em contradição ou redundância na busca pela originalidade.


NÃO ME ABANDONE JAMAIS (Never Let Me Go, Reino Unido/EUA, 2010) Direção: Mark Romanek Roteiro: Alex Garland Elenco: Carey Mulligan, Keira Knightley, Andrew Garfield, Charlotte Rampling Duração: 103 min Distribuição: Fox

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11 comments

  1. Puxa, gostei bem mais do que você, rs… Acho melancolico e bota a gnt numa reflexao sobre a humanidade. O lado cientifico do fime é bastante sutil. Quase nem dá para perceber. Mas nao sei se isso chegou a ser um erro de Romanek ou um acerto…

    Abs!

  2. Gustavo HR

    Tendo lido outras opiniões divergentes a respeito, não sei bem o que esperar. Parece um filme que pode te conquistar sutilmente, ou afundar na morosidade pretensiosa.

    • Gustavo, nesse ponto você tem razão. "Não me Abandone Jamais" conseguiu dividir opiniões. Alguns foram conquistados. Eu achei o filme uma bobagem.

    • Nossa, coincideancia ou ne3o, abacei de ler sua credtica quando ontem mesmo assisti a esse filme!! xD”Se pelo menos os personagens pedissem para o deus de Agharta para trazer de volta o Satoshi Kon…” [2] ahahah xDRealmente todas as refereancias ao Ghibli se3o bem f3bvias. Eu tambe9m fiquei um pouco espantanda quando a Asuna nem chorou quando soube da morte do Shun; na hora eu pensei “nossa, ela deve estar bem traumatizada para ne3o chorar agora”, sendo que ela sf3 conseguiu chorar no final, quando viu que ele realmente estava morto. E eu tambe9m fiquei me perguntando em certas partes “e por que vocea foi pra essa jornada neste mundo ente3o, minha filha?!?”. Enfim, concordo com vocea em ve1rios aspectos que descreveu aqui neste post. Ainda sim, apesar de tudo… eu adorei o filme! *u* eheheh xD Acho que se formos comparar este com os filmes anteriores do Makoto Shinkai, ele produziu uma obra excelente, melhorando nos trae7os dos personagens (o principal, na minha opinie3o)e ate9 mudou um pouco o geanero da histf3ria. Ainda acho que ele ire1 nos trazer umas boas surpresas em suas produe7f5es.

  3. Elton Telles

    O filme se sabota pela ingenuidade e o resultado é um pastel de vento.

  4. Marcel Gois

    Finalmente uma crítica pé no chão. Achei esse filme tão apático, sem graça. Sem atitude.. Todo mundo no filme é tão complacente que dá a impressão que o roteiro teve medo de colocar a discussão em pauta e resolver só concordar com tudo. Não li o livro, mas tenho deve ser mais interessante do que isso.

    • Marcel, muito legal receber um comentário seu! Volte sempre. Sobre o filme, concordo contigo. Morno e desritmado.

  5. Eu gosto muito da ideia do filme, mas não tanto do desenvolvimento. É um enredo muito mais intenso, triste e melancólico do que muitos outros por aí, que, melhores desenvolvidos, tornaram-se mais emocionantes do que a película em questão. Acho que faltou sensibilidade para construir detalhes, o filme todo soa como um romance, apenas.

    • Pelas ifornmações obtidas, trata-se de um filme ótimo.Os omterpretes contribuem para a veracidade da ifornmação. Pedro.

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