Crítica: Esses Amores

24 de agosto por Pedro Tavares | Nenhum comentário

Por Rogério de Moraes

Já na abertura, Claude Lelouch deixa claro que Esses Amores é uma homenagem a si próprio, a seus 50 anos de carreira e a seus 43 filmes realizados. Algo como um filme testamento. Assim, entre o amor e o destino – temas recorrentes na obra do diretor -, vemos muitas referências a filmes e diretores que influenciaram Lelouch, como Marcel Carné e Victor Fleming, além de referências à sua própria obra.

O filme é sobre Ilva (Audrey Dana), uma mulher nascida na primeira metade do século 20, que atravessa guerras e amores sem medo de tabus. Em torno dela há o destino, que fará com que sua vida cruze com a vida de outros personagens, todos marcados de alguma forma pela guerra. Entre a tragédia e a facilidade de Ilva em amar, esta mulher colecionará amores, histórias e desventuras através dos anos.

Esses Amores é visivelmente presunçoso. Falha por querer dizer muito dizendo efetivamente pouco. Na primeira metade, faz uma salada de personagens e referências. Embaralha História e narrativa num excesso de atropelos. Sem tempo para que o público crie simpatia pelo drama dos personagens, mesmo os mais fáceis de emocionarem, como as vítimas do Holocausto, as histórias não despertam grandes sentimentos.

O resultado é um filme morno, que fala de paixões, amores e tragédias sem comover o espectador. Para piorar, o diretor retarda ao máximo o desfecho final, saltando no tempo, criando uma artificial relação de família e geração futura, com uma trilha que se esforça ao máximo em emocionar, mas nada consegue.


ESSES AMORES (Ces amours-là, França, 2010) Direção: Claude Lelouch Roteiro: Claude Lelouch Elenco: Audrey Dana, Dominique Pinon, Gilles Lemaire, Jacky Ido Duração: 120 min Distribuição: Imovision

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