Crítica: Biutiful

23 de agosto por Pedro Tavares | 6 comentários

Em seu primeiro trabalho sem a ajuda de Guillermo Ariaga como roteirista, Alejandro González Iñárritu entrega um trabalho que transcende qualquer intenção imagética ou subterfúgio estilístico. Biutiful é uma espécie de epopéia autobiográfica (que fica mais evidente ao longo do filme) que segue no caminho oposto de tudo que já fez em aspectos narrativos. Sem fragmentações – e mesmo assim bastante engajado -, Iñárritu traz seus ideais para a atualidade e acoplando a atemporalidade um roteiro restrito, bastante particular.

A sempre inquieta câmera de Iñárritu acompanha Uxbal (Javier Bardem em atuação impecável) após o descobrimento da posse de poucos dias de vida por conta de um câncer na próstata. A partir de uma relação abstrata com a morte e o eixo caótico de uma Barcelona encardida, claustrofóbica e inquieta que aspira vícios, doenças, preconceitos e relações quase inconcebíveis, Uxbal demonstra viver numa dicotomia constante.

Entre a fraqueza de seu corpo e a mente poderosa de um homem que cuida de negócios ilegais, está a instabilidade emocional referente aos filhos e a esposa. O grande porém de Biutiful está na composição deste estado. Sem Arriaga, o diretor parece perdido, mais interessado em criar complexos visuais e acidentalmente iguais aos de O Assassino Sentimental de Máquinas do conterrâneo Omar Rodriguez-Lopez. Esta aposta vai de encontro com o oposto de sua narrativa, mais intimista, implícita para contar a agonia de um homem e sua já saudosa relação com a família.

BIUTIFUL (Idem, Espanha/México, 2010) Direção: Alejandro González Iñárritu Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Armando Bo e Nicolás Giacobone Elenco: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Hanna Bouchaib, Guillermo Estrela Duração: 147 min Distribuição: Paris Filmes

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6 comments

  1. Depois de ver o cometário de http://www.cabinecelular.com.br sobre o filme e ler depois o seu, fico com um pouco de medo de assistir o filme e morrer afogada nas minhas lágrimas. Javier Bardem mostra que vive o personagem em cada um de seus filmes, a diferença e distinção faz com que pareça que não é atuado pela mesma pessoa de tão impecável, noto isso desde que vi Mar Adentro, Sombras de Goya e Aonde os fracos não tem vez. Da uma olhada nesse site aí q te passei pedro…é interessante.

    • Pois é, Paola, a atuação de Bardem é impecável e concordo sobre seu histórico. Mas não condiz com o retrospecto do Iñárritu, que depois de 21 GRAMAS começou a escorregar.

  2. geo euzebio

    tu não achas que ele se estende demais? só uma pergunta boba.

    • Acho que ele se perde sim. E não só com o tempo. Alguns núcleos avulsos (principalmente a história dos amantes chineses) e a insistência de transformar o estado de espírito do protagonista em plástica falham.

  3. Esse e "Cópia Fiel" já estão em DVD, né? Porque se tiver, vou correr atrás de ambos, estou bem atrasada com eles. rsrsrs. ;)

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