Crítica: A Raça Violenta
RIO FAN – FESTIVAL DE CINEMA FANTÁSTICO DO RIO DE JANEIRO
O terror talvez seja o gênero menos egoísta do cinema. Faz-se o necessário para o filme confrontar o espectador; seus medos e reações ao que a tela exibe. O terror nada mais é que uma abordagem ao efeito do olhar. A Raça Violenta é um caso atípico. É um filme feito para ele. Naturalmente desdenha o espectador e o autor, no caso, os irmãos Butcher.
A Raça Violenta atrela o vazio à gratuidade das atrocidades – a construção de um mito – de uma gangue de motoqueiros do norte da Califórnia. A reviravolta – em todos os sentidos, incluindo a estética – acontece no meio do filme. Nela se justifica a idéia de egoísmo. De uma proposta inteiramente imagética e conceitualmente pobre, o longa ganha aura fantástica e engajada para questionar a intolerância e sua pungência nos dias de hoje.
Na cena mais interessante do filme – onde uma gangue de roqueiros tortura os motoqueiros para achar Michelle, uma garota possuída – os irmãos Butcher deixam claro o desdém pela humanidade e traçam nosso futuro com bastante pessimismo, remetente ao longa de Frank Darabont, O Nevoeiro. Apesar das intenções, A Raça Violenta é um filme que não traça nenhum tipo de diálogo com o espectador. Apenas tropeça e passa o restante de sua duração se corrigindo. E consegue.
A RAÇA VIOLENTA (The Violent Kind, EUA, 2010) Direção: The Butchers Brothers Roteiro: The Butchers Brothers Elenco: Cory Knauf, Taylor Cole, Bret Roberts Duração: 85 min
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