Em DVD: A Minha Versão do Amor
A Minha Versão do Amor, como a maioria das comédias contemporâneas, se atrela a elementos dramáticos como contrapeso do lado cômico do texto para criar identificação maior com os personagens. O longa dirigido por Richard J. Lewis e protagonizado por Paul Giamatti (vencedor do Globo de Ouro deste ano pela atuação) peca justamente na irregularidade dentro da relação entre os gêneros. A imprevisibilidade do amor é o tema que rege a narrativa do longa que acompanha a vida de Barney (Giamatti), um homem vulnerável, casado três vezes – sem sucesso em nenhum deles, todos marcados por experiências traumatizantes.
Em retrospectiva, a vida de Barney toma forma de uma comédia baseada em bons diálogos, cheia de referências (Woody Allen talvez seja a maior delas) e ótimo ritmo. Giamatti rouba a cena e só a divide com Dustin Hoffman, em atuação memorável, vivendo o pai fanfarrão do protagonista.
Na segunda metade, o filme escrito por Michael Konyves baseada na obra de Mordecai Richler torna-se um ensaio dramático, manipulando o envolvimento da platéia. Muda-se a postura, o ritmo, a trilha. Menos a entrega de Giamatti a seu personagem e a eloquência do texto. Como epítome, A Minha Versão do Amor é uma obra irregular, que mantém a platéia atenta graças a seu leve desenvolvimento.
A MINHA VERSÃO DO AMOR (Barney’s Version, Canadá/Itália, 2010) Direção: Richard J. Lewis Roteiro: Michael Konyves Elenco: Paul Giamatti, Minnie Driver, Dustin Hoffman, Macha Grenon Duração: 132 min Distribuição: California Filmes





Só veria por Giamatti. O resto parece lugar-comum.
Pra mim, um dos melhores filmes do ano. Discordo do desequilíbrio entre os gêneros mencionado na crítica, acho até que conseguiram dialogar muito bem e até dividirem seus 'espaços' com muita propriedade. O texto é mesmo sensacional e a direção se faz presente. Atores em estado de graça, desde Giamatti comprovando ser um dos melhores em atividade até pequenas participações como Hoffman e Driver, como a esposa burguesa. Eu esperava justamente um filme bem chulé, mas me surpreendi positivamente. "A Minha Versão do Amor" foi uma sessão cativante.
abs!
Boas observações, Elton, Prova que o cinema também é questão de gosto. Um abraço!