Crítica: Vejo Você no Próximo Verão
O dito cinema independente americano, agora dono de um modelo de fácil identificação e reformulação para o mainstream, ainda suspira dentro de pequenas variações. Vejo Você no Próximo Verão, debut diretorial de Philip Seymour Hofman adota o subgênero para narrar a história de Jack (Hofman), motorista de limousines que se prepara durante o outono para um encontro no verão com Connie (Amy Ryan).
Como a cartilha pede, os personagens – ambos integrantes da chamada classe trabalhadora de Nova Iorque – são cercados pela derrota, dominados pelo pessimismo e reféns da passividade; o raciocínio é para realçar a idéia do fracasso de relações conjugais através do tempo. Hofman economiza na análise dos personagens e parte para ação; motivados pelo abstrato bem-estar, eles viram uma representação sociológica na busca do imediatismo. Pela silenciosa obsessão por atividades físicas ou pelo uso de drogas.
Com um roteiro irregular – escrito por Robert Glaudini, também roteirista da peça em que o longa é baseado - Vejo Você no Próximo Verão tem seus momentos, principalmente quando resolve ironizar a previsibilidade do gênero. O encontro – a priori o foco da história -, aos poucos dá lugar à crise do casal coadjuvante, construindo sequências intensas e igualmente surreais, onde a música é fonte da força narrativa. Lamenta-se que esses momentos aconteçam apenas no último ato, e que todo seu resto seja apenas desgastado com o conto da expectativa para um encontro adaptado para um formato saturado.
VEJO VOCÊ NO PRÓXIMO VERÃO (Jack Goes Boating, EUA, 2010) Direção: Philip Seymour Hofman Roteiro: Robert Glaudini Elenco: Philip Seymour Hofman, John Ortiz, Amy Ryan, Lola Glaudini Duração: 91 min Distribuição: Imovision
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