Crítica: Rango
A metáfora de “atravessar para o outro lado” proposta em Rango se encaixa em absolutamente todos os elementos do filme onírico dirigido por Gore Verbinski. Atravessamos, de fato, para o passado, onde resgatamos o western spaghetti com precisão estética para narrar a história de um camaleão prestes a enfrentar seus próprios limites para alcançar a glória da reconquista da maior riqueza para de uma cidade arrematada pelas forças da corrupção: água.
Subverte-se a figura do herói em repletas referências que passam por Medo e Delírio em Las Vegas à clara reverência ao diretor Sérgio Leone e um encontro com o homem sem nome, para citar algumas. Rango também traz aura anárquica, como Alex Cox fez em seu Straight to Hell. Cada personagem parece ter sua estranheza necessária para tornar o filme além-tributo, de características e personalidades marcantes e que completam a sensação de espetáculo sugerida por Verbinski, regente de sequências estonteantes por seu apelo visual e potência dramática.
Rango limita-se às articulações do gênero com toda concessões narrativas permitidas pelo surrealismo, como um aval para o diretor debochar dos artifícios obrigatórios, dos personagens e até mesmo da crueza de seu protagonista, sem se vender como um filme “família”.
RANGO (Idem, EUA, 2011) Direção: Gore Verbinski Roteiro: Gore Verbinski, John Logan, James Ward Byrkit Elenco: (vozes de) Johnny Depp, Timothy Olyphant, Abigail Breslin, Bill Nighy Duração: 107 min Distribuição: Paramount




