Crítica: Desenrola

12 de julho por Pedro Tavares | Nenhum comentário

Desbravar a juventude.  Trabalho longínquo da sétima arte. O tacanho e sem refinamento panorama moderno da classe alta do Rio de Janeiro feito pela diretora Rosane Svartman (Mais Uma Vez Amor) desdobra esta fase da vida, institucionalizando os personagens, os separando por conceitos de persona, enquanto passeia com sua câmera pelas praias, festas e ruas da cidade.

Desenrola acompanha a rotina de alunos de um colégio de ensino-médio que adoram trocar ofensas e se “conectam” e “desconectam” de relações em velocidade máxima no meio de muitas descobertas. Às vezes trocam a vida digital pela analógica e se aproximam do resgate de uma era onde fitas cassete e um walkman cabem à substituição do telefone celular e suas câmeras potentes.  O intuito, claro, é imprimir a visão abstrata do tempo e da vida, consequentemente.

O curioso é que por toda narrativa, enquanto paralelamente o tempo é desbravado, os personagens – com uma ou outra exceção – desdenham sentimentos para criar o cerne perfeito e exaltá-los no momento certo, justamente quando o filme ameaça cair em redundância.

Em qualquer lugar do mundo os jovens têm necessidades e vontades. E com pouquíssimas variações. Desenrola é mais um registro da melhor época da vida. Tropeça e levanta nos clichês dezenas de vezes, na mesma intensidade que seus personagens trocam de namoradas (os).


DESENROLA (Idem, Brasil, 2011) Direção: Rosane Svartman Roteiro: Rosane Svartman Elenco: Olívia Torres, Lucas Salles, Kayky Brito, Vitor Thiré Duração: 88 min Distribuição: Downtown Filmes

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