Crítica: Corações Perdidos

05 de julho por Pedro Tavares | 8 comentários

Longe da autenticidade, Corações Perdidos é construído numa idéia utópica da bondade e sua imediata oposição. O diretor Jake Scott (De volta à direção após Plunkett e Macleane – Os Saqueadores, de 1999) elabora reações intrínsecas no choque de um casal em crise após o grande trauma de uma perda e uma prostituta ofegante, atrás de um suspiro de vida.

Os Rileys (James Gandolfini e Melissa Leo) estão mortos. Reagem instintivamente a dor de forma solitária, descontando em cigarros, síndromes e casos extraconjugais. Allison (Kristen Stewart) nada mais faz que representar o fundo do poço – ou um grito de socorro reverberado na vida do casal. Nesta relação, Scott opta por conflitos rasos, sugestivos à benevolência do espectador – para ambos os lados. O imediatismo na identificação dos Rileys e Allison se justifica à necessidade de um recomeço, mas em Corações Perdidos, a vida parece a mesma quando se está no céu ou no inferno. Existe concretismo em demasia nas intenções do diretor e nos diálogos não lapidados, que desembocam na infantilidade de Allison como melhor justificativa.

Com o choque do idealismo de Scott à temática dura e suja – representada muito bem pela casa da prostituta -, vemos um filme sem articulações, protagonizado por estereótipos, carregados com louvor por Gandolfini e Leo. Já Stewart mostra a mesma afetação que a consagrou na franquia Crepúsculo. Ficam no ar as boas intenções, principalmente as do primeiro ato, onde Scott acolhe o silêncio para apresentar seus personagens. Um filme truncado como um choro que há muito se espera, mas não tão dolorido quanto suas motivações.


CORAÇÕES PERDIDOS (Welcome to the Rileys, Reino Unido/EUA, 2010) Direção: Jake Scott Roteiro: Ken Hixo Elenco: James Gandolfini, Melissa Leo, Kristen Stewart, Joe Chrest Duração: 110 min Distribuição: Imagem Filmes

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8 comments

  1. Eu confesso que queria ver por causa do James "Tony Soprano" Gandolfini.

    Mesmo sabendo que o filme não é grande coisa.

  2. Eu assisti o filme e achei a critica sobre a atuação da Kristen injusta, a personagem dela está quebrada, como se não tivesse outra escolha na vida e as frustações dela me emocionou. Não sou fã da atriz nem a
    acho das melhores, mas acho que já é preconceito menosprezar a garota só por causa de uma saga mal dirigida, ela está crescendo e achei ela incrvel como Mallory/Allison.

    • cinemaorama

      Oi, Juliana! Não temos preconceito com ela, pelo contrário. Em "The Runaways", por exemplo, a tal afetação vista em "Crepúsculo" não existe. Mas se ela conseguiu te emocionar, quer dizer que há talento sim. Volte sempre!

  3. Acho que já está na hora das pessoas darem algum crédito à Kristen sem pensar em "Crepúsculo".
    As grandes atrizes de hoje começaram assim também, talvez não numa grande franquia direcionada à adolescentes mas em filmes tão pequenos e simples.
    Não estou generalizando, sei que alguns realmente não gostam da interpretação dela, mas a maioria é por causa de Crepúsculo e todos utilizam o mesmo discurso: atriz sem expressão. Será que quem usa esse argumento entende de técnicas de expressão e atuação? Acho que não né. Então é mais bonito dizer: Não gosto da atriz e pronto.

    • cinemaorama

      Val, isto é uma indireta ou uma defesa calorosa? Repito o que disse no comentário anterior: as afetações são as mesmas de Crepúsculo. Não são de The Runaways, pois nesse, não haviam. E assim, justifico o potencial de Kristen em se tornar uma boa atriz.

  4. alexcinefilo

    Tenho boas expectativas com o filme por conta do trio de intérpretes envolvidos. As reações têm sido divididas, sem pender muito para alguma direção mais positiva ou negativa. Terei que assistir mesmo para tirar minhas conclusões.

    E eu concordo com as garotas: "Crepúsculo" e Kristen são dez! S2

    =P

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