Crítica: Assalto ao Banco Central
Texto por Rudá Lemos
A divertida participação ligeira de Daniel Filho, o diretor mais popular da Retomada do cinema brasileiro, como um advogado corrupto no filme Assalto ao Banco Central inspira certas associações. Assim como o cinismo do seu personagem, Daniel costuma fazer contorcionismos para justificar o cinema comercial brasileiro e seus filmes de gosto duvidoso. Assalto ao Banco Central, estreia na direção cinematográfica do veterano ator Marcos Paulo, é mais um exemplar desse cinema de estética cosmética e redundante.
Baseado no roubo ocorrido em Fortaleza em 2005, o filme frustra, principalmente, por sua incapacidade de criar clima e tensão – elementos essenciais para uma película de ação que se preze. Por causa do gênero, não era de se esperar, nem muito menos exigir, a presença de diálogos profundos e personagens não estereotipados. Era necessário, porém, tendo nas mãos esse roteiro, que só não pode ser considerado como infantil por causa dos palavrões e da violência, direcionar a realização para um caminho menos óbvio e com menor postura, enfiada goela abaixo, de “filme sério e bem realizado”. Que assumisse então a tendência kitsch e tosca, que sempre esbarra de maneira involuntária, principalmente por causa de seus diálogos e a trilha sonora desapropriada. Ao invés disso, Assalto ao Banco Central pode ser etiquetado com o selo de “cinema brasileiro de qualidade”: fotografia bonita, som poderoso e montagem eficaz. O típico filme da Retomada que justifica o suposto “grande avanço do cinema brasileiro” tão papagaiado por aí.
Para fazer justiça há, sim, uma sequência realmente empolgante, perto do final da metragem, já passada toda cena do roubo (após um bom tempo de sensações ora constrangedoras ora simplesmente entediantes). Essa parte, que pode ser criticada pelos moralistas de plantão, começa com uma cena de sexo bem despudorada para o padrão dos filmes brasileiros recentes; passa por uma participação hilária de Milton Gonçalves como um pastor junto ao personagem crente de Vinícius de Oliveira (o menino de Central do Brasil) – a melhor atuação de um elenco de grandes nomes sem condições para brilharem; culminando numa cena de tortura forte, brutal e, sim, “bem feita”. Sexo + humor + violência; É a única parte de Assalto ao Banco Central que francamente traz gás ao filme, mas que, infelizmente, mostra o que ele poderia ter sido mas não é: um bom filme de gênero.
ASSALTO AO BANCO CENTRAL (Idem, Brasil, 2011) Direção: Marcos Paulo Roteiro: Renê Belmonte Elenco: Milhem Cortaz, Eriberto Leão, Lima Duarte, Hermila Guedes Duração: 94 min Distribuição: Fox
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