Potiche – Esposa Troféu abre o Festival Varilux de Cinema Francês

12 de junho por Pedro Tavares | Nenhum comentário

Texto por Marina Alves

Uma série de estrelas de diversas gerações do cinema francês aterrissaram no Brasil para promover o Festival Varilux de Cinema Francês, mostra que chega a 22 cidades e com o grande atrativo de selecionar  as melhores produções da França para serem divulgadas no Brasil – curiosamente o país que mais consome o cinema francês no mundo. Na noite da quarta-feira, 8, Catherine Deneuve, Audrey Tautou e a homenageada SandrineBonnaire (além de outras atrizes/diretoras) encontraram convidados e  fãs no Reserva Cultural, em São Paulo. Os organizadores e patrocinadores do evento agradeceram a receptividade da sétima arte francesa em nosso país e salientaram que, ao trazer a delegação francesa para cá, iniciam uma curva crescente de divulgação e valorização entre os dois países.

Após a exibiçãodo longa, um coquetel foi oferecido aos convidados, que ainda puderam desfrutar de alguns minutos na presença da delegação, sentada em uma mesa reservada especialmente para ficarem, com certa privacidade, próxima dos sortudos da noite.

O filme de abertura – Potiche: Esposa Troféu – veio ao Brasil como o principal longa da mostra. Potiche, inclusive, já deveria ter sido apresentado em 2010, quando foi anunciado como filme integrante de diversas Mostras de cinema de grandes capitais. No entanto, valeu a pena esperar: a experiência do filme foi enriquecida pelos comentários de Catherine Deneuve, em entrevistas coletivas e em suas declarações antes da exibição. Adaptado de uma peça de Barillet e Grédy, a história se passa no fim dos anos 70, quando uma greve na fábrica de guarda-chuvas da família Pujol eclode graças às rédeas curtas (e conservadoras) do rico Robert, provocando o sequestro do patrão e forçando sua submissa esposa, Suzanne, a tomar a direção da empresa e conduzir as negociações com os grevistas, conquistando o apoio do prefeito esquerdista Maurice Babin para transformar totalmente o antigo cenário caótico da empresa.

Potiche, do diretor François Ozon, revisita a direção de arte e fotografia de seu outro filme, 8 Mulheres, mas trata de temas menos superficiais, como a igualdade entre os sexos e a disputa entre posições partidárias políticas, sem deixar de lado, entretanto, sua direção contemporânea tão valorizada na própria França e, aos poucos, no resto do mundo. François Ozon é, como Catherine Deneuve mesmo descreveu, um diretor cinéfilo, que frequentemente agrega no contexto dos filmes as suas memórias afetivas e cinematográficas e que, no fim, acaba sendo de todos os espectadores também. Se em 8 Mulheres Ozon junta duas das musas inspiradoras (e mulheres) de François Truffaut – a própria Deneuve e também Fanny Ardant -, em Potiche ele promove o reencontro de um casal clássico do cinema francês, explorado pelo mesmo Truffaut há 30 anos em O Último Metrô: Catherine Deneuve e Gerard Depardieu. Ainda que, como a própria Deneuve tenha salientado em entrevistas, o reencontro entre esses dois pilares seja apenas para o espectador (já que pessoalmente os atores sempre estiveram em contato), Ozon evoca uma nostalgia que emociona quem está a par desse plano de fundo e faz uma homenagem para os realizadores e admiradores desse cinema. Obrigada, Ozon.

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