Festival Varilux de Cinema Francês: Uma Doce Mentira (2)
Texto por Leonardo Freitas
Com humor impecável, trio de atores cria comédia vaudeville deliciosa
Mais um representante da programação oficial do Festival Varilux de Cinema Francês, Uma Doce Mentira (De Vrais Mensonges, França, 2010) trouxe a atriz Audrey Tautou, eternizada como a personagem Amélie Poulain, para promover o filme no Brasil. Sorte de nós, brasileiros, que recebemos a bela Tautou (considerada musa da nova geração do cinema francês) e seu filme mais recente, uma deliciosa comédia francesa, no sentido mais literal que se possa ter.
Como crítico, confesso que me incomodou assistir Uma Doce Mentira. A razão? Não encontrar motivos para falar mal do longa do diretor e roteirista Pierre Salvadori (Après vous…, Les Marchands de Sable e Amar não Tem Preço, este também com a presença de Tautou). Confesso que há tempos uma comédia não me agradava tanto.
Em Uma Doce Mentira, a atriz interpreta Émilie, uma jovem que é dona de um salão de cabeleireiro junto com a amiga Sylvia (Stéphanie Lagarde). Lá, ela trabalha com o tímido Jean (Sami Bouajila), uma espécie de faz-tudo do local. Entre pinturas e manutenção elétrica do local, ele esconde seus sentimentos por Émilie e lhe envia uma carta de amor anônima, que é tratada com descaso pela cabeleireira. Ela, ao ver a mãe, Maddy (Nathalie Baye), depressiva após ser abandonada por uma moça bem mais jovem e descrente de que atraia a atenção de qualquer homem, vê na romântica carta de Jean a oportunidade de trazer de volta a alegria de Maddy. Está criada a teia de confusões e mal entendidos que permearão todo o filme.
Quando se sente amada à distância Maddy vai, a todo custo, em busca da identidade do autor e, quando por uma ironia do destino, se depara com o próprio Jean, a vida dos três se transforma em um turbilhão de confusões e equívocos que farão a plateia se deliciar com o trio central, interpretados com extrema competência e afinidade, especialmente no timing para comédia.
A tempo, outra qualidade que pesa a favor de Uma Doce Mentira é a qualidade do roteiro que, nunca perdendo o ritmo em sua direção segura e apoiando-se no carisma intocável de seus personagens, traz cenas memoráveis e inteligentes. Fica difícil escolher uma favorita: Émilie se entupindo de vodka para escrever uma carta de amor (para a própria mãe); o momento em que Émilie diz, depreciando, ao próprio Jean o que pensa do autor da carta ou a maior das consequências, quando Maddy tenta conquistar Jean a todo o custo.
Nathalie Baye e Audrey Tautou estão ótimas como mãe e filha, mas se Uma Doce Mentira tem seus méritos, boa parte deles são de Sami Bouajila, que cria em Jean um personagem cativante em sua introspecção e timidez, misturando expressões faciais que dizem mais em seus silêncios do que muitas linhas. E nesse jogo de mentiras e segredos, ele é quem se destaca, quando se vê como objeto de desejo da mãe da mulher pela qual está apaixonado.
E nesse desconforto hilário, com sua bem cuidada fotografia, humor ácido e ritmo que nunca perde o fôlego, Uma Doce Mentira é uma despretensiosa comédia que se destaca pela qualidade e se sobressai em seu ritmo cativante do começo ao fim. Até mesmo em seu epílogo, que fecha com chave de ouro, no melhor estilo vaudeville.
UMA DOCE MENTIRA (De Vrais Mensonges, França, 2010) Direção: Pierre Salvadori Roteiro: Pierre Salvadori, Benóit Graffin Elenco: Audrey Tatuou, Nathalie Baye, Sami Bouajila, Didier Brice Duração: 104 min Distribuição: Vinny Filmes
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Tags: Crítica





Respeito a critica, porem achei o filme muito fraco e totalmente dispensável como tudo o que é produzido na França desde 1990.
Desde 1990? Caramba. Eu gosto do Jeunet, hehehe!